A construção histórica das práticas corporais inclusivas para estudantes neurodivergentes na educação física brasileira
Por Maria De Fátima Siqueira De Souza (Autor), Marcos Pereira Constâncio Raad (Autor).
Resumo
A Educação Física escolar brasileira atravessou transformações profundas em sua trajetória, especialmente no que tange à compreensão do corpo e da diferença. Durante grande parte do século XX, a disciplina foi dominada por perspectivas higienistas e militaristas, nas quais o corpo era instrumentalizado para a disciplina, a produtividade e o fortalecimento da nação. Nesse cenário, estudantes com variações físicas ou comportamentais — como os neurodivergentes — eram frequentemente submetidos a práticas segregadoras, pois a diferença era interpretada estritamente como limitação ou patologia. A partir da década de 1970, o modelo esportivizado reforçou a lógica seletiva, elevando o desempenho técnico a critério central de valorização. Entretanto, a redemocratização e o avanço das teorias críticas impulsionaram novos questionamentos. As contribuições de Paulo Freire foram decisivas para essa inflexão ao propor uma educação dialógica.