Além do corpo: o impacto do exercício com dupla tarefa na saúde mental de idosos
Por Camila Cristina Fonseca Bicalho (Autor), Bruno Costa Teixeira (Autor), Renato Sobral Monteiro Junior (Autor), André de Assis Lauria (Autor), Ingrid Ludmila Bastos Lôbo (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
O envelhecimento está associado ao aumento do risco de declínio cognitivo e sintomas depressivos, especialmente em indivíduos fisicamente inativos. Intervenções não farmacológicas, como o exercício físico associado à dupla tarefa cognitivo-motora, têm sido propostas como estratégias promissoras para a promoção da saúde mental em idosos. Objetivo: Analisar o comportamento dos sintomas depressivos em idosos participantes de um programa de exercício físico com dupla tarefa, comparando avaliações realizadas em 2025 e 2026. Métodos: Estudo longitudinal com 8 idosos (idade = 67,63 ± 6,30 anos), participantes do Projeto Movi-mente (CEP/CAAE: 70932523.0.0000.5146). Os sintomas depressivos foram avaliados pela GDS-15, cuja pontuação varia de 0 a 15 (0-5: ausência de depressão; 6-10: depressão leve; 11-15: depressão severa). Foram realizadas análises descritivas (média e desvio padrão) e cálculo do tamanho de efeito pelo d de Cohen. Resultados: Observou-se redução da média dos escores de depressão de 3,25 (±2,49) em 2025 para 2,63 (±3,02) em 2026, com tamanho de efeito pequeno (d = -0,20), indicando discreta melhora dos sintomas depressivos no grupo. Em nível individual, a maioria dos participantes manteve ou reduziu seus escores, com casos de redução clinicamente relevante (ex.: de 8 para 5; de 3 para 0). Um participante apresentou piora (de 6 para 9), permanecendo na faixa de depressão leve. A maior parte dos idosos permaneceu classificada sem depressão (0- 5 pontos) nos dois momentos avaliados. Conclusão: Os achados preliminares sugerem que a participação em programas de exercício físico com dupla tarefa pode contribuir para a redução dos sintomas depressivos em idosos. A amostra reduzida limita o poder estatístico das análises. Os resultados reforçam o potencial do treinamento físico associado a estímulos cognitivos como estratégia não farmacológica para a promoção da saúde mental no envelhecimento. Estudos com amostras maiores e análise inferencial são necessários para confirmar esses efeitos