Ambiente construído e comunitário para a atividade física em crianças e adolescentes brasileiros: uma atualização de revisão sistemática para o Report Card Brasil 2026
Por David Nunes Oliveira (Autor), Leandro de Almeida Nascimento (Autor), Radfan Naumann Oliveira Leite (Autor), Tatiane Kosimenko Ferrari Figueiredo (Autor), Eduardo Rossato de Victo (Autor), Gerson Ferrari (Autor), Danilo Rodrigues Pereira da Silva (Autor), Ricardo Aurélio Carvalho Sampaio (Autor).
Em Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano v. 28, 2026.
Resumo
O ambiente construído e comunitário é determinante da atividade física (AF) em crianças e adolescentes. Este estudo atualizou evidências sobre indicadores ambientais associados à AF entre jovens brasileiros para subsidiar o Report Card Brasil 2025. Realizou-se revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA. LILACS, SciELO e MEDLINE/PubMed foram pesquisados para estudos publicados entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2024. Foram incluídos estudos com amostras brasileiras de 0 a 19 anos que avaliaram ao menos um indicador do ambiente comunitário ou construído relacionado à AF. Dois revisores realizaram independentemente a triagem, seleção e extração dos dados. Os domínios ambientais incluíram acesso e disponibilidade, qualidade da infraestrutura, proximidade, segurança, qualidade ambiental e ambiente social. Quatorze estudos atenderam aos critérios, incluindo um estudo com representatividade nacional. As evidências concentraram-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sem estudos no Norte ou Centro-Oeste. A maioria combinou medidas percebidas e objetivas (por exemplo, GIS, MAPS, PARA, NEWS-Y). Os achados identificaram barreiras estruturais: infraestrutura limitada para transporte ativo (baixa prevalência de ciclovias), longas distâncias entre casa e escola, acesso insuficiente a espaços públicos em até 500 m da residência e instalações de baixa qualidade. Ambientes escolares frequentemente careciam de infraestrutura específica para AF. A percepção de insegurança no bairro foi barreira consistente, especialmente entre meninas. Apesar de avanços metodológicos, persistem desigualdades ambientais no Brasil. Infraestrutura inadequada, baixa acessibilidade e insegurança permanecem barreiras importantes à AF entre jovens. Políticas de melhoria do ambiente construído são essenciais para promover oportunidades equitativas de vida ativa.