As piscinas na imprensa em Minas Gerais: Belo Horizonte, Uberaba e Guaranésia
Por Letícia Silva Azevedo (Autor).
Resumo
Essa comunicação tem por objetivo trazer parte dos resultados da minha dissertação em andamento, discutindo os achados a respeito da natação. A pesquisa em si se dedica a analisar as representações de lazer e seu encontro com a categoria gênero na Revista Bello Horizonte na década de 1930. A proposta de pesquisa se ampara nos direcionamentos metodológicos da História Cultural, a fim de discutir sobre as representações das experiências de lazer no referido espaço-tempo. Nessa comunicação trago para a discussão as representações das piscinas na década de 1930 a partir do discurso da imprensa em três regiões do Estado de Minas Gerais: a capital, com a Revista Bello Horizonte; Uberaba, a partir do jornal Lavoura e Comércio; e a cidade de Guaranésia, com o jornal Monitor Mineiro. As buscas foram feitas na Hemeroteca Digital a partir da palavra “piscina”, uma vez que foi percebido que na Revista Bello Horizonte, principal fonte de estudo da minha dissertação, a piscina do Athlético e do Minas Tênis Clube foram fotografadas e veiculadas em destaque na revista. Na Revista Bello Horizonte, a piscina do Minas Tênis Clube figura em uma reportagem de página inteira onde se lê: “O cliché abaixo reproduz uma de suas magnificas dependencias, e a majestosa piscina olympica do Club.” (REVISTA BELLO HORIZONTE, n.° 87, 1937, p. 47) No jornal Lavoura e Comércio, na coluna esportiva os uberabenses anunciam a construção de uma piscina na cidade e essa nova estrutura mudou a sociabilidade, de modo que no carnaval ela se tornou a grande atração: “Realizar-se-á amanhã, entre 3 e 6 horas da tarde, na linda piscina da rua Manoel Borges, grande e arrojado banho carnavalesco (…) A piscina está sendo ricamente ornamentada, segundo ás ultimas leis do bom gosto carnavalesco (…)” (LAVOURA E COMÉRCIO, n. 7151, 1936, p. 02) Em Guaranésia a situação é diferente, uma piscina fora apenas cogitada. Nas primeiras páginas do jornal foram encontrados textos lamentando a situação: “Mocóca está a construir uma piscina que fica em duzentos contos; Guaxupé está a construir e a apparelhar todos os meios de sportismo para a cultura physica e diversão de seu povo. E nós que estamos a fazer? Nada. Pedindo a Deus que nos dê uma boa hora de morte para descanço d'alma” (MONITOR MINEIRO, n. 1115, 1933, p. 01).