Resumo

 A relação entre padrões alimentares e a condição de praticante de exercícios físicos regulares ou atleta de competição é fundamental na nutrição esportiva, dado seu impacto na saúde e no desempenho. Os carboidratos destacam-se como a principal fonte de energia para atividades de alta intensidade, sendo essenciais para manter os estoques de glicogênio muscular, retardar a fadiga e otimizar a performance. Alimentos ricos em carboidratos, como massas, são amplamente consumidos por atletas devido às suas demandas energéticas elevadas, sendo relevante investigar sua associação com a prática esportiva para subsidiar estratégias nutricionais eficazes.OBJETIVO: Este estudo observacional analisou a associação entre o consumo de massas e a condição de ser ou não atleta, com ajuste pela variável sexo. MÉTODOS: Este estudo observacional incluiu 97 participantes (33 mulheres e 64 homens), selecionados por conveniência entre praticantes de exercícios físicos regulares e atletas de competição. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.Os dados foram coletados por meio do Questionário de Frequência Alimentar para Atletas (FAA)(GODOIS et al., 2020), validado para a população brasileira, aplicado presencialmente em uma única sessão com supervisão de pesquisadores treinados. Os participantes foram divididos em dois grupos com base em sua condição: atletas de competição e não atletas, sendo a classificação baseada na prática esportiva autorreportada e frequência de participação em competições. A variável sexo também foi registrada para ajustes nas análises.RESULTADOS: Para a questão consumo de massas foi reportado por 27,37% (IC95%: 18,72–37,48) dos participantes, enquanto 72,63% indicaram não consumir esse grupo alimentar. Para a análise realizada por de regressão logística, considerando como variável dependente o consumo de massas (sim/não) e como variável independente a condição de atleta (sim/não). O modelo ajustado pelo sexo apresentou um pseudo R² de Nagelkerke igual a 0,08, com AUC de 0,61. A variável sexo não demonstrou significância estatística no modelo final da análise. O consumo de massas foi significativamente associado à condição de ser atleta, indicando que atletas têm 3,83 vezes mais chances de consumir massas em comparação aos não atletas (IC95%: 1,04–14,11). Esses achados sugerem que o consumo de massas pode estar relacionado às demandas energéticas elevadas de indivíduos fisicamente mais ativos. Embora o pseudo R² e a AUC indiquem uma associação moderada, os resultados reforçam a importância de investigar os hábitos alimentares no contexto esportivo, especialmente no que se refere a alimentos ricos em carboidratos. CONCLUSÕES: Estratégias nutricionais personalizadas podem ser benéficas para otimizar o consumo de energia e o desempenho de atletas e de suas necessidades de ingestão de carboidratos, como as massas. O presente estudo pode ainda fornecer insights sobre os padrões alimentares em atletas e pode servir de base para investigações futuras que incluam a análise de outras variáveis dietéticas e demandas fisiológicas.

 

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