Associação entre o Consumo de Massas na Dieta e a Condição de Atleta: Um Estudo Observacional - Imunolab Study FISEX-FEF
Por Danilo Lucas Clementino Araujo (Autor), Henrique Monteiro Lapo (Autor), Matheus Alejandro Bolina Amaral (Autor), Marcella Ramos da Silva Lazari (Autor), Amanda Veiga Sardeli (Autor), Cláudia Regina Cavalaglieri (Autor), Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A relação entre padrões alimentares e a condição de praticante de exercícios físicos regulares ou atleta de competição é fundamental na nutrição esportiva, dado seu impacto na saúde e no desempenho. Os carboidratos destacam-se como a principal fonte de energia para atividades de alta intensidade, sendo essenciais para manter os estoques de glicogênio muscular, retardar a fadiga e otimizar a performance. Alimentos ricos em carboidratos, como massas, são amplamente consumidos por atletas devido às suas demandas energéticas elevadas, sendo relevante investigar sua associação com a prática esportiva para subsidiar estratégias nutricionais eficazes.OBJETIVO: Este estudo observacional analisou a associação entre o consumo de massas e a condição de ser ou não atleta, com ajuste pela variável sexo. MÉTODOS: Este estudo observacional incluiu 97 participantes (33 mulheres e 64 homens), selecionados por conveniência entre praticantes de exercícios físicos regulares e atletas de competição. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.Os dados foram coletados por meio do Questionário de Frequência Alimentar para Atletas (FAA)(GODOIS et al., 2020), validado para a população brasileira, aplicado presencialmente em uma única sessão com supervisão de pesquisadores treinados. Os participantes foram divididos em dois grupos com base em sua condição: atletas de competição e não atletas, sendo a classificação baseada na prática esportiva autorreportada e frequência de participação em competições. A variável sexo também foi registrada para ajustes nas análises.RESULTADOS: Para a questão consumo de massas foi reportado por 27,37% (IC95%: 18,72–37,48) dos participantes, enquanto 72,63% indicaram não consumir esse grupo alimentar. Para a análise realizada por de regressão logística, considerando como variável dependente o consumo de massas (sim/não) e como variável independente a condição de atleta (sim/não). O modelo ajustado pelo sexo apresentou um pseudo R² de Nagelkerke igual a 0,08, com AUC de 0,61. A variável sexo não demonstrou significância estatística no modelo final da análise. O consumo de massas foi significativamente associado à condição de ser atleta, indicando que atletas têm 3,83 vezes mais chances de consumir massas em comparação aos não atletas (IC95%: 1,04–14,11). Esses achados sugerem que o consumo de massas pode estar relacionado às demandas energéticas elevadas de indivíduos fisicamente mais ativos. Embora o pseudo R² e a AUC indiquem uma associação moderada, os resultados reforçam a importância de investigar os hábitos alimentares no contexto esportivo, especialmente no que se refere a alimentos ricos em carboidratos. CONCLUSÕES: Estratégias nutricionais personalizadas podem ser benéficas para otimizar o consumo de energia e o desempenho de atletas e de suas necessidades de ingestão de carboidratos, como as massas. O presente estudo pode ainda fornecer insights sobre os padrões alimentares em atletas e pode servir de base para investigações futuras que incluam a análise de outras variáveis dietéticas e demandas fisiológicas.