Associações transversais entre solidão e exposição às provocações por pares durante as aulas de educação física
Por André de Araújo Pinto (Autor), Guilherme José Silva Ribeiro (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A solidão na adolescência tornou-se um problema crítico de saúde mental pós-pandemia, exigindo investigações sobre determinantes sociais. Contudo, pouco se sabe como as provocações no ambiente escolar impactam a ocorrência de isolamento entre jovens. Objetivo: Analisar associações entre a prevalência de solidão e a exposição a diferentes dimensões de provocações por pares em aulas de Educação Física.Métodos: Estudo transversal com 1.032 adolescentes de Boa Vista, Roraima (média de 16,12 anos; 50,5% masculinos). A solidão foi avaliada por um item do questionário Global School-based Student Health Survey. Analisaram-se quatro tipos de provocações: a) olhares e b) zombarias sobre aparência, c) descoordenação motora e d) apelidos sobre peso/tamanho. Utilizou-se regressão logística binária para identificar as possíveis associações. O estudo seguiu a Declaração de Helsinki e foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Roraima (parecer 7.264.601/2024). Resultados: A prevalência de solidão foi de 32,1%, sendo superior em meninas (38,7% vs. 25,5%). Nove em cada 10 adolescentes relataram ao menos um tipo de provocação. No modelo ajustado, todas as dimensões foram preditores independentes de solidão. A zombaria por baixa coordenação motora apresentou a associação mais forte (OR = 1,97; IC95%: 1,50-2,60), seguida por olhares depreciativos (OR = 1,75) e zombarias com a aparência (OR = 1,73). Conclusão: Três em cada dez adolescentes sentem solidão. As associações observadas com as provocações, especialmente quanto à coordenação motora, sugerem que a Educação Física pode atuar como espaço de exclusão. Políticas de saúde escolar devem propor novas estratégias de enfrentamento para mitigar as provocações entre os adolescentes, além daquelas tradicionais focadas apenas no peso