Atleta transexual nos jogos olímpicos de Tóquio 2020 e as construções narrativas midiáticas brasileiras
Por Gabriel Coelho (Autor).
Resumo
No contexto dos Jogos Olímpicos (JO), o binarismo de gênero influencia diretamente nas modalidades esportivas, onde a dicotomia entre homens e mulheres compactou as identidades de gênero em “masculino” e “feminino”, e normatizou padrões de identidade neste espectro. Excluída dos esportes até o presente século, a identidade transgênero — agrupando transexuais, intersexo, pessoas não binárias, entre outros — é resistência contra essa lógica dicotômica (Camargo; Kessler, 2017). Em 2004, o Comitê Olímpico Internacional (COI) regulamentou a participação de atletas transexuais — pessoas que passaram por transição de gênero — nos esportes. Mulheres e homens transexuais precisavam realizar cirurgia e ter reconhecimento legal para competir (Comitê Olímpico Internacional, 2004). Essas diretrizes foram alteradas em 2015, e as exigências passaram a ser direcionadas somente a mulheres transexuais e pautadas na exigência de comprovar 10 nmol/L ou menos de testosterona um ano antes da competição, mantendo-a durante a mesma (Comitê Olímpico Internacional, 2015). Em 2021, o COI conferiu, às federações internacionais, autonomia para definir sobre estas políticas (Comitê Olímpico Internacional, 2021).