Resumo

No Brasil, o racismo amarelo se manifesta de forma distinta em três momentos históricos: com a eugenia no início da imigração, com o Perigo Amarelo durante a II Guerra Mundial e mais recentemente com o Mito da Minoria Modelo. O presente estudo tem como objetivo geral compreender a maneira que essa racialização atinge esses indivíduos amarelos, suas vivências, suas relações sociais e espaciais, e as consequências dessa estigmatização racial no processo de identificação e apropriação das práticas de lazer. Para esse propósito estabeleceu-se três objetivos específicos: a) verificar quais são as principais situações de discriminação vividas por pessoas amarelas e como essas situações se materializam; b) analisar as intersecções do racismo amarelo com as categorias classe social, gênero, faixa etária, corporalidade e sua ingerência no aprofundamento ou amenização da discriminação, e c) subsidiar o debate do lazer enquanto espaço de reprodução do racismo amarelo, mas também como espaço de proteção de grupos racializados, discutindo os possíveis avanços e limites desses estudos como instrumento de mudanças significativas. O método de coleta de dados compreendeu 25 entrevistas semiestruturadas utilizando a amostragem snowball ou bola de neve. Os dados obtidos foram analisados por meio da triangulação de métodos, que articula a bibliografia, os dados coletados e a análise da conjuntura. Foi identificado que o racismo recreativo, as microagressões e as violências servem como instrumento de reprodução dos papéis sociais: ao mesmo tempo que a racialização das pessoas amarelas permite acesso aos melhores postos de trabalho, com destaque para a área de exatas, restringemse as possibilidades de lazer: um lazer mais centrado no espaço doméstico, intelectualizado, além de um lazer fechado dentro da própria comunidade onde essa configuração protege os indivíduos do preconceito e discriminação

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