Resumo

Mulheres jovens, pompons, classe média, pessoas brancas, roupas curtas e “a garota popular do colégio”. Esses são alguns estereótipos que englobam o imaginário coletivo ligado ao cheerleading, visto que, sobretudo nas representações midiáticas norte-americanas, retratam a prática de maneira hiperssexualizada e ligada ao “feminino”. Entretanto, no Brasil, a modalidade se desenvolve a partir de uma outra lógica, iniciando em 2007 no Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) com o ingresso de um discente que teve contato com a prática quando morou nos Estados Unidos, principal local de desenvolvimento e surgimento do esporte, que passou a oferecer sessões de treinamento para outros estudantes, de modo que iniciou-se a popularização pelo país. Em 2009, a modalidade esportiva foi oficializada nacionalmente pela União Brasileira de Cheerleaders (UBC). Em 2019, foi criada a Confederação Brasileira de Cheerleading Desportivo (CBCD) e, nesse mesmo ano, passou a integrar os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). Portanto, a modalidade adquire um caráter competitivo e festivo, desde o seu início em território nacional, em detrimento de uma prática coadjuvante de outras competições. Na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a primeira equipe competitiva de cheer, como foi apelidado no Brasil, é formada em 2016 pela Liga das Engenharias da Unicamp (LEU), o Blackbears, objeto de estudo desta pesquisa, devido ao desejo dos estudantes de participarem do torneio universitário TUSCA. Posteriormente, se filiou à Liga das Atléticas da Unicamp (LAU), representando a universidade em competições esportivas. A equipe, desde a sua criação, conta com a participação de estudantes de diversos cursos da graduação com experiências corporais distintas que formam um grupo identitário e parte da cultura universitária a ser melhor compreendido por essa pesquisa, a qual encontra-se em andamento. Os objetivos referem-se a descrever e analisar o surgimento e o desenvolvimento da primeira equipe de cheerleading da Unicamp. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujo método é a observação das sessões de treinamento, a entrevista com praticantes e com a treinadora, que está desde o início da formação da equipe, contribuindo para uma análise do surgimento do grupo. Devido a escassa produção científica em relação ao tema, as observações e as informações verbais torna-se a principal fonte para registros e análises ao longo do desenvolvimento da pesquisa. O cheer é uma manifestação esportiva em ascensão, de modo que avançar na compreensão desse fenômeno pode trazer contribuições para a produção de conhecimento, bem como possíveis políticas de permanência estudantil. 

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