Resumo

Este artigo apresenta um exercício investigativo de reconstrução narrativo-autobiográfica de uma experiência infantil de cultura física na região da Grande Buenos Aires (Aldo Bonzi, La Matanza) durante a década de 1990. O objetivo deste trabalho é explorar a pluralidade de significados e a rede de significações de uma experiência motora infantil nos espaços públicos da Grande Buenos Aires durante a década de 1990, através da reconstrução narrativo-autobiográfica. A hipótese delineia uma análise hermenêutica da memória corporal – focada nas práticas motoras infantis a partir de uma escala mínima e indicativa – de modo a consolidar os pontos de convergência entre a experiência pessoal, a história sociocultural e o espaço público. Os resultados destacam a descoberta de uma epifania biográfica na agência infantil, marcada por uma mudança da domesticação do consumo privado para a reapropriação do espaço público, a invenção de campos de jogo através da colagem normativa de mobiliário urbano e a sedimentação de uma "atmosfera" afetiva capaz de contribuir para a formação da identidade do professor. A discussão visa explorar a tensão entre o poder do jogo espontâneo e do "futebol selvagem" e a hiperinstitucionalização e o risco sufocante inerentes à regulação pedagógica moderna do corpo. A conclusão realça como a investigação narrativa-autobiográfica contribui para a formação de quadros epistémico-analíticos que beneficiam a descolonização pedagógica, capazes de revalorizar a autonomia comunitária, o jogo livre e a poética da memória do património territorial.

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