Comparação entre as equações de Harris-Benedict e modelos multicomponentes que utilizam dados da DXA para a estimativa da taxa metabólica basal em pessoas vivendo com HIV com e sem lipodistrofia
Por Luiz Henrique Rufino Batista (Autor), André Pereira dos Santos (Autor), Dalmo Roberto Lopes Machado (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A taxa metabólica basal (TMB) é importante no acompanhamento de pessoas vivendo com HIV (PVH). A equação de Harris-Benedict (HB) estima a TMB por peso, estatura, idade e sexo, sem medidas diretas de composição corporal. Modelos baseados em medidas de DXA podem mostrar diferenças associadas à lipodistrofia.Objetivo: Comparar a TMB estimada por HB e por modelos de 4, 5 e 6 componentes (C), calculados a partir de medidas obtidas por DXA em PVH com e sem lipodistrofia. Métodos: Participaram 97 adultos: 61 homens (46,5±9 anos), 29 com lipodistrofia, e 36 mulheres (46,7±10,8 anos), 13 com lipodistrofia. A TMB foi estimada por HB e modelos de 4C (osso, tecido adiposo, músculo esquelético e residual), 5C (4C + cérebro) e 6C (5C + órgãos do tronco), calculados a partir de medidas de DXA. Usou-se teste t pareado e independente. Aprovado em CEP (CAAE: 62480216.4.0000.5393). Resultados: A lipodistrofia não afetou a TMB pela HB em homens (1550,4±200,1 vs. 1613,0±187,7 kcal/dia; p=0,212) nem em mulheres (1309,5±106,1 vs. 1331,2±124,5 kcal/dia; p=0,600). Na amostra total, HB, 4C, 5C e 6C apresentaram 1486,8±211,2, 1409,0±250,3, 1513,5±237,9 e 1368,7±206,0 kcal/dia. Em homens, houve mudança na direção da diferença conforme a lipodistrofia: sem lipodistrofia, 4C (1520,8±187,3) e 6C (1479,9±147,8) foram inferiores à HB (1613,0±187,7; p<0,05), enquanto 5C (1634,5±164,8) não diferiu; em com lipodistrofia, 5C (1653,7±190,8) foi superior à HB (1550,4±200,1; p<0,05), 6C (1479,9±167,4) foi inferior e 4C (1545,8±220,3) não diferiu. Em mulheres sem lipodistrofia, 4C (1172,7±159,2), 5C (1272,0±141,4) e 6C (1175,7±135,5) foram inferiores à HB (1331,2±124,5; p<0,05); em mulheres com lipodistrofia, apenas 6C (1188,2±120,3) foi inferior à HB (1309,5±106,1; p<0,05). Conclusão: A TMB avaliada pela HB foi semelhante entre participantes com e sem lipodistrofia. Os modelos calculados a partir de medidas de DXA mostraram diferenças em relação à HB que variaram conforme sexo e lipodistrofia