Resumo

Introdução: a insuficiência de atividade física em adolescentes constitui um problema de saúde pública, com implicações ao longo do curso de vida. Apesar da disseminação deinformações sobre os benefícios da atividade física, persistem elevados níveis de inatividade, sugerindo complexidade e multicausalidade dos determinantes desse comportamento. O objetivo foi comparar o nível de atividade física (NAF) segundo a percepção de conhecimento sobre seus benefícios em escolares. Métodos: estudo epidemiológico transversal, de base escolar e abrangência estadual, com escolares de 14 a 19 anos, ambos os sexos, da rede pública do Rio Grande do Sul (n=795). O NAF foi estimado pelo IPAQ(versão curta), classificando-se como ativos aqueles com ≥300 minutos/semana. A percepção de conhecimento sobre os benefícios da atividade física foi aferida por medida autorreferida dicotômica. Foram realizadas análises descritivas e comparações entre grupos (qui-quadrado e teste de Mann-Whitney), adotando-se p<0,05. Resultados: a prevalência de insuficiência de atividade física foi de 72,2%, indicando que a maioria dos escolares não atinge as recomendações semanais. Observou-se elevada proporção de escolares que relataram conhecer os benefícios da atividade física (82,4%). Não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas no NAF entre os grupos definidos pela percepção de conhecimento (p=0,311). Também não foi observada associação entre apercepção de conhecimento e a classificação dos escolares em ativos ou insuficientemente ativos (χ²=0,969; p=0,325). Esse padrão indica dissociação entre a percepção de conhecimento e o comportamento de atividade física. Conclusão: a elevada prevalência de insuficiência de atividade física em escolares evidencia a magnitude do problema e reforça a necessidade de estratégias de promoção da saúde que transcendam abordagens centradas exclusivamente na informação. A dissociação observada entre percepção de conhecimento e comportamento ativo sugere que a atividade física é influenciada por múltiplos determinantes, apontando para a necessidade de intervenções pedagógicas, contextuais e sociais no âmbito da Educação Física escolar.

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