Da necessidade de pensamento didático
Por Jorge Olímpio Bento (Autor).
Em XVIII Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Caro Leitor: Recebi com o sentimento de subida honra o convite, feito pelo Prof. Dr. Alfredo Gomes de Faria Júnior, para elaborar o prefácio do livro que tem nas suas mãos. Obviamente, interpreto o convite, ciente da amizade que nos une, assim como da oportunidade que me é oferecida para proceder a algumas reflexões ditadas pela conjuntura. Assim, venho assumir a tarefa, discorrendo sobre algo que tange o universo das minhas memórias e inquietudes, procurando trazer tempos idos para a atualidade, e abrir alguma janela desta para a futuridade.
Primeiro: Breve digressão histórica Com a publicação, em 1649, da obra ‘Didactica magna’ (título em latim) ou ‘Didática Magna’, também conhecida por ‘Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos’, João Amós Coménio (1592-1670) provocou uma fulgurante inovação do pensamento pedagógico. Mais, ofereceu um berço e início de ouro às Ciências da Educação. Coménio teve uma infância deveras atribulada. Ficou órfão de pai e mãe; foi acolhido por outra família, cresceu e fez o percurso escolar num ambiente de dificuldade, para não dizer de dureza e hostilidade. Isso não podia deixar de fundar e marcar a sua visão. Como é sabido, o seu nome está inscrito na pequena lista dos primeiros defensores dauniversalidade da educação; e foi também a essa missão que consagrou a ação, ambas inequivocamente expressas pelas suas palavras: “Nós ousamos prometer uma Didática Magna, isto é, um método universal de ensinar tudo a todos. E de ensinar com tal certeza, que seja impossível não conseguir bons resultados. E de ensinar rapidamente, ou seja, sem nenhum enfado e sem nenhum aborrecimento para os alunos e para os professores, mas antes com sumo prazer para uns e para outros. E de ensinar solidamente, não superficialmente e apenas com palavras, mas encaminhando os alunos para uma verdadeira instrução, para os bons costumes e para a piedade sincera.” Vê-se bem, Coménio era movido por ideais de transbordante generosidade. E não podia nem devia, então e agora, ser de outro modo. Com efeito, a educação consubstancia um ideal utópico, consentâneo com a noção ‘humanógena’ da sociedade. A produção mais extraordinária, que a sociedade intenta realizar e lhe interessa sobremaneira para sua consolidação, renovação e perpetuação, é a de Criaturas Humanas de verdade. Esta é a criação que se eleva acima de todas as outras, por mais assombro que provoquem. A criação do Ser Humano é e será sempre uma obra imperfeita, inconclusa, inacabada. Haverá sempre muito por fazer, para tentar que a nossa imperfeição seja cada vez menos imperfeita ou cada vez mais perfeita. Muito se progrediu na traje