Resumo

O desporto indígena, compreendido em sua origem, constitui-se como uma manifestação cultural, social e simbólica que ultrapassa a dimensão competitiva frequentemente associada ao desporto institucionalizado, assumindo, nas aldeias, funções relacionadas à transmissão de valores, à preparação para a vida quotidiana e às práticas ritualísticas próprias de cada povo. No ensino superior, essas práticas têm sido incorporadas por meio de ações extensionistas e eventos académicos que buscam promover a valorização da diversidade cultural e o diálogo intercultural. No entanto, ao serem transpostas para o ambiente universitário, tais manifestações tendem a sofrer processos de ressignificação, sendo frequentemente reduzidas a jogos de caráter mais institucionalizado, o que pode limitar a compreensão de seus significados originais por parte de estudantes não indígenas. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar as perceções de estudantes universitários não indígenas acerca dos Jogos Tradicionais Indígenas, realizados em uma instituição de ensino superior no Cerrado Goiano. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quali-quantitativa, realizada por meio de um questionário estruturado aplicado a 17 estudantes participantes de ações extensionistas, aliada à observação participante. Os resultados evidenciam uma perceção heterogênea, marcada tanto pelo reconhecimento da riqueza cultural quanto por sinais de distanciamento, baixa identificação e participação motivada por exigências académicas, o que indica uma compreensão ainda limitada dos significados dessas práticas. Tais achados sugerem que, embora as iniciativas institucionais contribuam para a visibilidade das culturas indígenas, ainda persistem desafios na construção de uma compreensão intercultural efetiva, o que reforça a necessidade de práticas educativas que promovam um diálogo mais profundo entre saberes.

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