Resumo

Edson Arantes do Nascimento, Pelé, foi uma das maiores personalidades desportivas do século XX, adentrando o século XXI. Sua presença e “marca” não se restringiu ao âmbito esportivo, como é usual aos grandes expoentes do circuito do entretenimento. Para além do virtuosismo futebolístico, o camisa 10 (do Santos e da Seleção Brasileira) galgou fama planetária, amplo cacife midiático e também se viu em meio a diversas polêmicas, ao longo de sua carreira e trajetória. Fora dos campos, Pelé também apresentou uma performance nada desprezível nas telas de cinema. Em levantamento publicado em 2009, o professor Victor Melo contabilizou 24 títulos nacionais (de todos os gêneros e metragens) nos quais o jogador atua ou é representado (MELLO, V. e DRUMOND, M. Esporte e Cinema: Novos Olhares, Apicuri, 2009, pp.221-259). Esse rol está defasado. De lá pra cá, teríamos que acrescentar produções posteriores e, se quisermos ampliar o leque, os filmes estrangeiros. Para um complemento (não exaustivo), podemos citar: Fuga para Vitória (RU/EUA/ITA, Victory, John Huston, 1981), A Vitória do mais fraco (EUA, A Minor Miracle, Terrell Tannen, 1985), O Mundo aos seus Pés (RU/EUA, Once in a Lifetime, John Dower e Paul Crowder, 2006), Pelé – o nascimento de uma lenda (EUA/BRA, Birth of a Legend, Jeff Zimbalist e Michael Zimblist, 2016), Em busca da excelência (EUA, In Search of Greatness, Gabe Polsky, 2018), Pelé, a origem (BRA, Luiz Felipe Moura, 2019) e Pelé (RU, David Tryhorn e Ben Nicholas, 2021). Não é pouca coisa. Para os fins desta apresentação, trataremos apenas de duas obras: O Rei Pelé (BRA, Carlos Hugo Christensen, 1962) e o recente Pelé (RU, David Tryhorn e Ben Nicholas, 2021). Trata-se do primeiro e do último (até o momento) longa sobre o “maior atleta do século”. Essa eleição relacionase com as condições e limites deste escrito e tem como proposta básica (além da apreciação e análise fílmica das películas em questão), evidenciar dois temas de longo e recorrente acionamento quando se fala do Pelé de fora das quatro linhas: suas posturas quanto à política (principalmente em tempos ditatoriais) e frente ao tema do racismo. Este paper consiste ainda em adaptação de um capítulo entregue para publicação em coletânea intitulada “As Copas do Mundo de Futebol na Literatura, na Música no Cinema”, organizado no LABED FALE/UFMG, por Elcio Cornelsen.

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