Driblando a proibição: futebol de salão de mulheres e interdição esportiva feminina (1956-1957)
Por Raphael Rajão Ribeiro (Autor).
Resumo
A presente comunicação pretende abordar o desenvolvimento inicial do futebol de salão de mulheres na cidade de São Paulo, entre os anos de 1956 e 1957. Passados 15 anos da regulamentação da proibição da prática feminina de uma variedade de esportes, incluindo-se o futebol de campo, o surgimento de uma nova variação da modalidade abriu possibilidades de experimentação do jogo pelas mulheres. Com a utilização, principalmente de fontes de imprensa, o estudo busca investigar de que maneira a interdição criada no Estado Novo repercutiu no período democrático. A questão de pesquisa volta-se para a compressão das formas como a norma criada no período ditatorial repercutia agora na fase de maiores liberdades civis e políticas. O que permite uma discussão sobre processos de generificação nos esportes e a discussão sobre como os valores patriarcais e a medicalização do corpo feminino se desdobrava em um contexto mais liberal. Para tanto, será acompanhada a formação das primeiras equipes de futebol de salão feminina na capital paulista, as quais se deram em diferentes contextos que vão de instituições de ensino, passando por clubes de várzea até uma entidade associativa negra da cidade. Nesse contexto de proliferação da prática, observa-se como, mesmo com a proibição de outras modalidades, a federação especializada na nova vertente do jogo encampou a organização de uma competição oficial entre mulheres, a qual ganhou ampla repercussão nas mídias da época. Frente à visibilidade alcançada pelo futebol de salão de mulheres, observa-se de que forma o Conselho Nacional de Desportos vai colocar em discussão se a proibição definida 15 anos antes se ampliaria ou não sobre a nova vertente do jogo. Esse debate é esclarecedor das formas como a interdição esportiva feminina era compreendida naquele contexto e em quais eram os pressupostos mobilizados para a sua regulamentação.