Efeito do exercício físico na secreção de irisina em pacientes com doença renal crônica e seus efeitos neurológicos: uma revisão sistemática
Por José Morais Souto Filho (Autor), Milton Rocha Moraes (Autor), Daiane Nonato de Lima (Autor), Hugo Luca Correa (Autor), Lysleine Alves Deus (Autor), Rodrigo Vanerson Passos Neves (Autor), Thiago dos Santos Rosa (Autor).
Em Revista Brasileira de Ciência & Movimento v. 34, n 1, 2026.
Resumo
A Doença Renal Crônica (DRC) e suas complicações neurológicas crescem globalmente, tornando o exercício físico (EF) uma intervenção não farmacológica vital, com a irisina sendo um mediador potencial de seus benefícios. Esta revisão sistemática buscou analisar a influência do EF nos níveis de irisina em pacientes com DRC e sua relação com alterações neurológicas. A pesquisa, conduzida em março de 2025 (2015-2025) nas bases PubMed, Web of Science, Scopus e Biblioteca Cochrane, utilizou descritores como "Irisin AND Chronic Kidney Disease AND Physical Exercise AND Neurologic Disease". Após a triagem de 26 artigos, apenas três estudos em inglês foram elegíveis e avaliados pela Tabela Delphi. Os estudos incluídos investigaram a correlação entre irisina e capacidade física em hemodiálise, o efeito de 12 semanas de treinamento de força nos níveis de irisina, e os efeitos de uma sessão aguda de exercício de força. Nenhum estudo diretamente associou a irisina a disfunções neurológicas na DRC, nem abordou o exercício aeróbio com análise de irisina. Os resultados indicaram que o treinamento de força crônico pode aumentar os níveis de irisina, contribuindo para melhorias funcionais e metabólicas, possivelmente via ativação da via AMPK, que estimula a produção dessa miocina. A irisina, capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e com propriedades neuroprotetoras em modelos animais, sugere um papel importante na modulação da neuroinflamação. Contudo, a escassez de pesquisas, especialmente sobre o exercício aeróbio, irisina e complicações neurológicas, limita conclusões abrangentes. As fragilidades metodológicas dos estudos analisados, como a falta de randomização e cegamento, reforçam a necessidade urgente de ensaios clínicos randomizados e controlados, além de estudos longitudinais. Futuras investigações devem focar na elucidação dos efeitos do exercício aeróbio e na relação direta da irisina com a saúde neurológica em pacientes com DRC, visando estratégias terapêuticas inovadoras e melhorias sustentáveis na qualidade de vida.