Resumo
O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos do treinamento físico aeróbio intervalado (TFAI) entre 70 e 110% do limiar de anaerobiose ventilatório (LAV) sobre a modulação autonômica da frequência cardíaca (FC) de voluntários com doença arterial coronariana (DAC), após angioplastia coronariana transluminal percutânea (ACTP). Desenho do estudo: Participaram do estudo 21 voluntários (58,14±7,08 anos), divididos em 2 grupos, um grupo treinado (GT, n=11) e outro grupo controle (GC, n=10). Os dois grupos faziam tratamento farmacológico para controle dos fatores de risco. As medidas dos desfechos principais foram exames bioquímicos de sangue, FC (bpm), iRR (ms) e os índices da variabilidade da FC (VFC) no domínio do tempo: rMSSD (ms), SDNN (ms); e no domínio de frequência: potência total (ms²) e bandas de baixa e alta frequência (BF e AF) em valores absolutos (ms²) e em unidades normalizadas (un), analisadas a partir da captação da FC e dos intervalos RR (iRR), em repouso na posição supina, durante 15 min, antes e após 16 semanas de TFAI. Foram calculadas as diferenças dos dados dos exames bioquímicos e dos índices da VFC entre após e antes o treinamento (), para ambos os grupos. Para análise intra-grupo foi utilizado o Teste Wilcoxon e para a análise de comparação dos grupos foi aplicado o Teste Mann-Whitney. O nível de significância estatística foi estabelecido em 5%. Resultados: Os índices da VFC do GT e GC foram rMSSD: 12,18; -3,12, SDNN: 8,34, -2,34, potência total: 202,83, -353,0, BF: 198,03; -49,7, e AF: 323,9; -71,9, respectivamente. Sendo que somente o GT apresentou diferenças significantes (p<0,05). O GT apresentou maiores diferenças dos s dos índices da VFC (rMSSD: -15,84; SDNN: -11,40, potência total: -793,54; BF: -279,83 e AF: -403,13) em relação ao GC (p<0,05). O GT apresentou redução nas concentrações de colesterol total e da glicemia plasmática. Já o GC, apresentou redução apenas nas concentrações de glicemia. Dentre as covariantes avaliadas com os índices de VFC, no GT as covariantes lesão uniarterial, biarterial, angioplastia prévia, IAM prévio, HAS, etilismo, medicamentos de ação nos canais de cálcio, betabloqueadores e vasodilatadores apresentaram correlação com os índices rMSSD, BF e AF (p<0,05 e r2>0,95). No GC as covariantes lesão uniarterial, biarterial, multiarterial, diabetes, angioplastia prévia, histórico para DAC e medicamentos hipolipemiantes apresentaram correlação com rMSSD, potência total e AF (p<0,05 e r2>0,90). Conclusão: o TFAI baseado em percentuais do LAV promoveu aumento da VFC e redução do colesterol total e da glicemia plasmáticas. Esse tipo de protocolo pode ser útil para a concepção de programas de treinamento sem expor os voluntários com DAC a risco de intercorrências de eventos cardíacos ao exercício físico.