Resumo

As doenças cardiovasculares permanecem como principais causas de morbimortalidade no Brasil, sobretudo em indivíduos expostos a fatores de risco como hipertensão arterial, sobrepeso e histórico de tabagismo. Nesse cenário, estratégias não farmacológicastêm ganhado destaque, especialmente aquelas que articulam prática corporal, acompanhamento profissional e inserção social. Programas extensionistas universitários, ao integrarem ensino, pesquisa e cuidado, configuram-se como espaços potentes de promoção da saúde e intervenção qualificada em populações especiais.Descrição do Caso:Relata-se o caso de uma mulher de 54 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial, sobrepeso (IMC 29,8 kg/m²) e histórico de tabagismo cessado há dois anos. No momento de ingressono programa, apresentava pressão arterial de 150/92 mmHg, frequência cardíaca de repouso de 84 bpm e baixa tolerância ao esforço físico, além de queixas de fadiga precoce em atividades cotidianas e estilo de vida predominantemente sedentário. A participante foi inserida em um protocolo de treinamento resistido supervisionado, realizado três vezes por semana, com progressão individualizada de carga, controle de intensidade e monitoramento contínuo dos sinais vitais. Após dois meses, observou-se melhora na tolerância ao exercício, maior engajamento e adesão às sessões. Ao final de quatro meses, verificou-se redução da pressão arterial (134/86 mmHg), da frequência cardíaca (76 bpm) e do IMC (28,9 kg/m²), além de relatos consistentes de melhora na disposição, autonomia funcional e interação social.Conclusões:Os achados evidenciam que o treinamento resistido supervisionado pode promover benefícios clínicos, funcionais e comportamentais relevantes em indivíduos com risco cardiovascular. Ademais, elementos como vínculo, acompanhamento contínuo e pertencimento ao ambiente coletivo mostraram-se determinantes para a adesão e sustentabilidade da intervenção. O estudo reforça o papel estratégico da extensão universitária como espaço de cuidado ampliado, no qual práticas corporais não apenas reduzem indicadores clínicos, mas também ampliam autonomia, fortalecem o protagonismo e ressignificam o cuidado em saúde

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