Efeitos de práticas corporais na saúde cardiovascular de mulheres hipertensas: Relato de caso associado a um programa extensionista
Por Sheila Lusia dos Santos Jesus (Autor), Samira Alves Araujo (Autor), Nayani Mikelly Moreira Ramos (Autor), Bruno de Oliveira Pinheiro (Autor), Raquel Daffre de Arroxellas (Autor), Saulo dos Santos Gil (Autor), Luciene Braz (Autor), Hunter Douglas de Souza Lima (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
As doenças cardiovasculares permanecem como principais causas de morbimortalidade no Brasil, sobretudo em indivíduos expostos a fatores de risco como hipertensão arterial, sobrepeso e histórico de tabagismo. Nesse cenário, estratégias não farmacológicastêm ganhado destaque, especialmente aquelas que articulam prática corporal, acompanhamento profissional e inserção social. Programas extensionistas universitários, ao integrarem ensino, pesquisa e cuidado, configuram-se como espaços potentes de promoção da saúde e intervenção qualificada em populações especiais.Descrição do Caso:Relata-se o caso de uma mulher de 54 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial, sobrepeso (IMC 29,8 kg/m²) e histórico de tabagismo cessado há dois anos. No momento de ingressono programa, apresentava pressão arterial de 150/92 mmHg, frequência cardíaca de repouso de 84 bpm e baixa tolerância ao esforço físico, além de queixas de fadiga precoce em atividades cotidianas e estilo de vida predominantemente sedentário. A participante foi inserida em um protocolo de treinamento resistido supervisionado, realizado três vezes por semana, com progressão individualizada de carga, controle de intensidade e monitoramento contínuo dos sinais vitais. Após dois meses, observou-se melhora na tolerância ao exercício, maior engajamento e adesão às sessões. Ao final de quatro meses, verificou-se redução da pressão arterial (134/86 mmHg), da frequência cardíaca (76 bpm) e do IMC (28,9 kg/m²), além de relatos consistentes de melhora na disposição, autonomia funcional e interação social.Conclusões:Os achados evidenciam que o treinamento resistido supervisionado pode promover benefícios clínicos, funcionais e comportamentais relevantes em indivíduos com risco cardiovascular. Ademais, elementos como vínculo, acompanhamento contínuo e pertencimento ao ambiente coletivo mostraram-se determinantes para a adesão e sustentabilidade da intervenção. O estudo reforça o papel estratégico da extensão universitária como espaço de cuidado ampliado, no qual práticas corporais não apenas reduzem indicadores clínicos, mas também ampliam autonomia, fortalecem o protagonismo e ressignificam o cuidado em saúde