Resumo

A eleição de Kirsty Coventry como a décima presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) –a primeira mulher e a primeira pessoa africana a ocupar o cargo –representa um momento de significativa mudança institucional. Embora sua ascensão seja uma vitória simbólica para a equidade de gênero e a diversidade, este ensaio adota uma perspectiva crítica e prudente, sendo de natureza qualitativa e descritiva, com o objetivo de contextualizar a trajetória de Coventry e realizar uma análise documental de seu manifesto de candidatura. As propostas organizam-se em cinco pilares: aproveitamento do poder do esporte, maximização da colaboração, fortalecimento de parcerias, defesa do desenvolvimento sustentável e promoção de credibilidade e confiança. A então candidata visa empoderar atletas, Federações Internacionais (FIs) e Comitês Olímpicos Nacionais (CONs), defendendo a adoção de tecnologias como a Inteligência Artificial e a expansão para novas plataformas de mídia. Contudo, a implementação dessas metas será desafiadora. A principal dificuldade reside na conciliação dos interesses de uma comunidade global diversa, na redistribuição de recursos concentrados no COIe na manutenção da neutralidade em um cenário geopolítico polarizado. A presidência de Coventry exigirá, portanto, a habilidade de navegar por esse ecossistema complexo e de traduzir o simbolismo de sua eleição em ações práticas que garantam a relevância e a sustentabilidade do Movimento Olímpico.

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