Resumo
A fadiga mental é um estado psicobiológico induzido por demanda cognitiva caracterizada por esforço mental e falta de energia que tem sido associada a efeitos negativos no desempenho físico durante o exercício contínuo. No entanto, no exercício intermitente de alta intensidade (EIAI), poucos estudos analisaram tal interferência. Além disso, o estímulo de motivação durante o exercício físico (por exemplo, ouvir música) poderia mitigar esses efeitos negativos. Contudo, o conhecimento do efeito da música como agente motivacional no estado de fadiga mental durante o desempenho de EIAI ainda é desconhecido. O objetivo do estudo 1 e do estudo 2 foi investigar os efeitos da fadiga mental e uma intervenção com estímulo musical sobre o desempenho durante a EIAI. No estudo 1, sete adultos jovens fisicamente ativos do sexo masculino (média ± desvio padrão; 30,3 ± 5,8 anos; 76,4 ± 6,8 kg; 175,1 ± 5,2 cm) participaram de 3 condições experimentais: 60 minutos de Stroop teste seguido de EIAI; 60 minutos de teste de Stroop seguido de EIAI ouvindo música; 60 minutos assistindo um documentário emocionalmente neutro seguido do EIAI (8x15s na maior intensidade possível em cicloergômetro contra uma resistência fixa de 9% de massa corporal intercalados por 120s de recuperação passiva entre os esforços. Potência pico e média, índice de fadiga e trabalho total foram aferidos neste estudo. No estudo 2, dez adultos jovens fisicamente ativos do sexo masculino (média ± desvio padrão; 26,4 ± 4,4 anos; 73,0 ± 9,7 kg; 168,0 ± 5,7 cm) participaram das mesmas 3 condições experimentais, contudo o modelo de EIAI compreendia 8x15s de corrida na maior intensidade possível intercalados por 120s de recuperação passiva entre os esforços. Distância percorrida por série e total, velocidade máxima, média e mínima foram aferidas neste estudo. Em ambos os estudos, respostas psicológicas (percepção de fadiga mental, percepção de esforço físico, índice de carga de trabalho) ao EIAI foram coletadas. Em ambos os estudos a fadiga mental não provocou efeitos deletérios nas variáveis de desempenho e nem na percepção subjetiva de esforço (p > 0,05 para todas as comparações).