Futebol de 5: prevalência de lesões esportivas em jogadores da seleção brasileira
Por Thálita Gonçalves Santos (Autor), Jalusa Andreia Storch (Autor), Marília Passos Magno e Silva (Autor), Luis Felipe Castelli Correia de Campos (Autor), José Júlio Gavião de Almeida (Autor), Edison Duarte (Autor).
Em Revista Brasileira de Medicina do Esporte v. 27, n 6, 2021.
Resumo
Introdução: O Futebol de 5 é uma modalidade exclusiva para atletas com deficiência visual (DV) inseridos no processo de classificação visual como cegos – B1 (Blind 1). A deficiência e o treinamento de alto desempenho são fatores que contribuem para o desenvolvimento de lesões esportivas. Objetivos: O objetivo do estudo foi caracterizar a prevalência das lesões esportivas em atletas com DV da Seleção Brasileira de Futebol de 5. Métodos: O método foi definido pelo estudo epidemiológico descritivo longitudinal. A amostra foi composta por dez atletas do sexo masculino da Seleção Brasileira de Futebol de 5, sendo dois atletas sem DV e oito atletas com DV com classificação visual B1, convocados para competições no ano de 2014. O questionário para a coleta de dados foi baseado no Protocolo de Lesão Esportiva no Esporte Paralímpico (PLEEP), expressando dados quantitativos analisados pela estatística descritiva. Resultados: Os resultados demonstraram que no ano de 2014, cinco atletas com DV tiveram sete lesões com prevalência de 62,5%, incidência clínica de 0,87 lesões/atleta/ano e 1,4 lesões por atleta lesionado. As principais lesões esportivas foram estiramento muscular (28,6%), pubalgia (28,6%) e periostite (28,6%). Todas as lesões ocorreram nos membros inferiores, afetando pernas (71,4%) e quadril (28,6%). A sobrecarga foi o mecanismo mais frequente (57%), sendo relatada após a ação técnica do chute e vinculada ao desequilíbrio muscular entre membros inferiores dominante e de apoio, além dos desajustes posturais típicos da deficiência visual. Conclusão: Frente ao exposto, atletas do Futebol de 5 apresentaram um padrão de lesões por sobrecarga decorrentes das repetições da ação técnica do chute, ocorrendo predominantemente em competições esportivas. Os dados epidemiológicos podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias na prevenção de lesões nesta modalidade esportiva