Greatest of all time (goat): considerações Sobre a falação esportiva na sociedade do Espetáculo e do consumo
Por Roger Luiz Brinkmann (Autor).
Em ATHLETICA - Revista de Filosofia do Desporto v. 1, n 2, 2025.
Resumo
O papel do esporte de alto rendimento na sociedade moderna possui várias facetas, como por exemplo, busca por excelência, simbolismos e identidade, mas uma das maiores características é que o espetáculo esportivo de alto rendimento virou um negócio (Besnier et al, 2019). Em termos econômicos, é uma indústria bilionária que cresce ano a ano (Statista, 2023). Uma das consequências do esporte espetáculo (alto rendimento) é o exacerbado interesse da mídia. De maneira geral, a dinâmica do espetáculo é retroalimentada por interesses financeiros. O objetivo é transmitir o espetáculo para bilhões de pessoas e em troca receber valores altíssimos de empresas que estão patrocinando esse espetáculo. Um dos assuntos do espetáculo esportivo atual que perpassa praticamente todos os programas de debate é a discussão sobre quem é o maior atleta de todos os tempos, o famoso GOAT (Greatest of All Time). Essa discussão é estratégica para a mídia, pois é subjetiva e infinita. Sempre é possível incluir um critério para deixar o debate mais longo. São discussões que não incentivam a prática esportiva, apenas o consumo do espetáculo esportivo de maneira passiva. O objetivo desse texto é fazer uma crítica a falação esportiva dos GOATs, argumentando que esse tipo de discussão efêmera é um retrato da sociedade que consome o espetáculo esportivo de maneira passiva. Ademais da crítica, é proposta uma reflexão sobre qual a verdadeira importância e relevância do esporte de alto rendimento na atualidade com base nos pensamentos de Umberto Eco (falação esportiva), Guy Debord (espetáculo) e Jean Baudrillard (consumo).