Resumo

A historiografia do esporte vem se notabilizando nos últimos anos pela profusão de trabalhos que procuram compreender as relações do esporte, e do futebol em particular, com a ditadura brasileira. No entanto, historiadores/as do esporte ainda são tímidos na produção de trabalhos de popularização dessas pesquisas ou mesmo da transformação dessas pesquisas em materiais didáticos para o ensino de uma temática bastante complexa e de difícil trato em sala de aula. Desta forma, este trabalho busca apresentar duas experiências desenvolvidas na Universidade Federal de Santa Maria de produção de material em áudio para veiculação em rádios ou em podcast sobre as relações do futebol com a ditadura no Brasil. O primeiro deles faz parte do projeto institucional REDE BÁSICA: UFSM em REDE com a Educação BÁSICA. Neste projeto foram produzidos sete episódios sobre futebol e ditadura, acompanhados de guia de personagens e de guia para docentes aplicarem os conteúdos em sala de aula. O segundo projeto tem o título “Os estádios da Ditadura: história pública para o enfrentamento do revisionismo nas escolas” e é financiado pelo CNPq. Prevê a produção de 16 episódios, um sobre cada estádio público construído ou reformado pelos governos estaduais durante a ditadura no país. Sabemos das dificuldades que docentes de História vêm enfrentando no trato de temáticas de passados sensíveis (como a ditadura brasileira) em sala de aula, principalmente com o crescimento de grupos políticos de extrema direita que produzem um sem número de peças louvando o passado deste regime político no Brasil. Torna-se assim urgente que aqueles que se dispões a estudar este período procurem criar formas de suas pesquisas alcançarem novos públicos, principalmente docentes de História dos ensinos fundamental e médio, bem como propor atividades que estejam em consonâncias com a legislação educativa do país e que possam dar segurança a docentes para o trabalho em sala de aula. Além disso, o tema do futebol e do esporte pode ser um mote interessante para que discentes destes níveis escolares conheçam melhor o passado autoritário do país, vencendo frases redutoras, porém de muita penetrabilidade social, como “futebol e política não se misturam”.

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