Resumo

Como disse Enrique Vila Matas no seu livro “O mal de Montano”, 25 “passamos pela vida sem, por vezes, entender corretamente muitas coisas”. Foi este o meu caso na minha relação durante anos com o desporto angolano. Estabeleci com o basquetebol angolano e o seu treinador e dirigente Vitorino Cunha, estreitos laços de amizade que estiveram sempre muito para além das relações profissionais que nos juntaram. Foram anos ombro a ombro, travando uma luta sempre difícil, em prol da melhoria das competências de todos os que nos rodeavam, fazendo emergir e amadurecendo gradualmente a amizade que hoje nos liga, baseada num indestrutível respeito mútuo e conquistada dia a dia, olhos nos olhos, sem tibiezas nem hesitações. Em 2014 editei então em Angola um livro com o título “Treinador me confesso” onde procurei deixar bem evidente o meu reconhecimento pelo que o Vitorino Cunha representou na minha vida profissional. Alguém que mesmo nos momentos mais difíceis soube sempre estar ao meu lado apontando-me o caminho a seguir. E que também me ensinou como é fundamental saber estar disponível para defender causas, dedicando-lhes a vida e sacrificando o que for necessário. Diziam alguns que o Vitorino Cunha os incomodava pela frontalidade e honestidade com que sempre se posicionava. Quase todos esses críticos perceberam posteriormente quanto o Vitorino Cunha os ajudou a terem sempre que necessário uma voz que os norteava. Quanto ao facto de o Vitorino Cunha ser exigente para com os outros, é bom não esquecer que nunca o foi menos para consigo próprio, através de uma coerência e integridade que constituíam a sua imagem de marca pessoal.

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