Resumo

Introdução: A fadiga mental (FM) é resultante de períodos prolongados de alta demanda cognitiva. No futebol, o desempenho tático é essencial para o sucesso, sendo demandadas habilidades perceptivo-cognitivas, as quais podem se relacionar com processos que desencadeiam a queda de desempenho, como a FM. Objetivo: Verificar os efeitos da FM no desempenho tático de atletas de futebol da categoria sub-13 durante pequenos jogos (PJ). Referencial teórico: Kunrath et al. (2020), demonstrou que a FM prejudica o desempenho tático dos jogadores de futebol, verificado na queda da eficácia na realização de princípios táticos fundamentais durante PJ. Entretanto, a literatura sobre os efeitos da FM no desempenho tático de atletas, ainda no período de iniciação, é escassa. Estudos que buscam discutir os efeitos da FM em adolescentes ainda não possuem um consenso se, nessa faixa etária, as estruturas cerebrais relacionadas a FM, como o córtex cingulado anterior, estão totalmente desenvolvidas, gerando a queda no desempenho em tarefas esportivas (XU et al., 2013). Materiais e métodos: Participaram 12 atletas de futebol da categoria sub-13. O desempenho tático dos atletas foi analisado através do Sistema de Avaliação Tática do Futebol (FUT-SAT), sendo avaliada a eficácia dos princípios táticos ofensivos e defensivos. As tendências de coordenação intra e inter-equipes, registradas por GPS de 10 Hz (Catapult Sports®), foram expressos pelo percentual do tempo em fase e anti fase na largura e profundidade do campo. Para indução da FM, foi utilizada uma versão digital do Stroop test - durante 20 minutos. Todos os jogadores participaram das duas condições: controle e experimental. A condição controle era composta por um momento de avaliação subjetiva, realizando a Escala Analógica Visual (VAS) de 100mm, seguido dos PJ. Na condição experimental, os atletas respondiam a VAS (pré), seguido do protocolo para indução da FM, e respondiam novamente a VAS (pós), finalizando com os PJ. Todos os PJ tinham formato GR+3x3+GR, sendo realizados duas partidas de quatro minutos com pausa passiva de dois minutos entre cada condição. Foi realizado o teste Shapiro-Wilk para testar a normalidade dos dados e, Pôsteriormente, um teste t pareado para comparação do desempenho tático entre os protocolos. O nível de significância adotado foi de 5%. Resultado e Discussão: Não foram encontradas diferenças significativas em nenhum dos princípios táticos fundamentais (p>0,05). No entanto, o percentual de tempo em fase na profundidade da condição experimental foi maior do que na condição controle (p<0,05), sendo contrários aos estudos que reportaram queda da eficácia dos princípios táticos e nos padrões de coordenação. Portanto, essas diferenças podem ser atribuídas a idade dos atletas e ao tempo de exposição no protocolo para indução de FM. Conclusão: Os resultados apontaram que a fadiga mental não gera queda no desempenho tático de atletas de futebol da categoria sub-13.