Resumo

O presente trabalho apresenta o Método PULE (Prática Unificada e Livre do Esporte), uma proposta de iniciação esportiva inclusiva voltada para crianças e jovens neurodivergentes, especialmente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down. Fundamentado na perspectiva da inclusão social, nos referenciais da Conferência de Salamanca (1994) e na Lei Brasileira de Inclusão (2015), o método busca valorizar as capacidades individuais, estimular funções cognitivas e promover autonomia por meio da prática esportiva mediada e adaptada. A abordagem está sustentada na Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural de Feuerstein e na mediação da aprendizagem (BUDEL, 2012; MEIER, 2007), integrando aspectos motores, cognitivos e sociais para favorecer a participação plena dos indivíduos em diferentes contextos. Metodologia: O projeto foi implementado na Universidade Livre do Esporte (ULE), contemplando grupos pequenos de 4 a 6 alunos, com práticas esportivas adaptadas e suporte de equipe multidisciplinar. Foram utilizadas rotinas estruturadas, recursos visuais, materiais adaptados e estratégias de comunicação assertiva para potencializar a aprendizagem. As aulas seguiram estrutura composta por aquecimento, atividades principais em circuito e momento de relaxamento, com duração média de 40 a 45 minutos. Instrumentos de avaliação psicopedagógicos e motores, incluindo a ampulheta de Gallahue e Ozmun e o TGMD-2, foram aplicados para acompanhamento individualizado do desenvolvimento motor, cognitivo e social. Resultados: Observou-se melhora significativa na coordenação motora global e fina, aumento da atenção, memória e flexibilidade cognitiva, além de avanços na socialização e comunicação. O envolvimento da família foi fundamental, atuando como rede de apoio para a generalização das aprendizagens no ambiente familiar e escolar. Houve relatos de redução de comportamentos estereotipados, maior autonomia na realização de atividades diárias e fortalecimento da autoestima. O projeto também contribuiu para a formação continuada de profissionais de Educação Física, capacitando-os a atuar com populações neurodivergentes. Conclusão/Considerações finais: O Método PULE demonstrou ser uma prática eficaz de inclusão social e esportiva, oferecendo um espaço de lazer, aprendizagem e convivência para crianças e jovens neurodivergentes. A estruturação das aulas, a mediação qualificada e o suporte da equipe multidisciplinar foram decisivos para o êxito das intervenções. Constata-se que práticas esportivas inclusivas, planejadas e adaptadas, favorecem não apenas o desenvolvimento motor, mas também promovem autonomia, habilidades sociais e pertencimento. Assim, o PULE reafirma que o esporte é uma ferramenta de transformação social e promoção da diversidade, equidade e inclusão.

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