Integra

É totalmente inadequada a expressão, mas salvam-se a mensagem e a intenção. 
Celebremos a condição corporal! O corpo gímnico sublima a dificuldade em leveza e a dureza em graciosidade. Com pesos e resistências aprende a desenhar coreografias e a interpretar sinfonias de espantosa plasticidade.
Sem a transcendência performativa, seríamos outro ser, ínfimos e aquém de nós. Sim, a Humanidade também se realiza através de proezas corporais, praticadas pelos membros da família humana e universal. “Deus é demasiado perfeito para poder pensar noutra coisa senão em Si próprio”, disse Aristóteles. Ele não Se ocupa com as nossas imperfeições. Somos nós que temos de cuidar de as diminuir. Somos nós os autores do ‘oitavo dia da criação’: o da reinvenção do Humano nesta terra donde os deuses se afastaram. Ninguém, a não ser nós, assume esse empreendimento e nos fornece o manual de instruções.
Mais alto e belo, mais longe e veloz! Um apelo ao absoluto. Uma promessa a Prometeu: buscaremos o que ainda não somos; e faremos de cada ‘menos’ um ‘mais’, em todos os palcos da vida!

Jorge Bento