Resumo

Este texto versa sobre a prática do boxe na Beira nos derradeiros anos do colonialismo. A evolução do boxe numa cidade colonial, impregnada pelo racismo, oferece uma possibilidade de aferição do cotejo do magma cultural racista, da evolução do colonialismo numa conjuntura internacional adversa e da prática da modalidade. A partir de uma fonte singular – o jornal Voz Africana, durante anos propriedade do Centro Africano Manica e Sofala, devotado à causa da valorização dos africanos – intenta-se indagar os sentimentos e as perceções dos boxeurs africanos relativamente aos padrões de inserção social, que também passava pela sua observância da regulação da prática desportiva. Ensaia-se destrinçar o esforço – através do jornal e de mais instituições – de inculcação de ética e de civilidade numa modalidade de combate disputada por indivíduos durante décadas considerados inferiores. Não seria improvável a crença na ideia de que, uma vez observada numa modalidade que suscitava tanta adesão, a ética se estenderia a outros domínios da interação social.

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