Resumo

Este artigo analisa os cortes orçamentários e as medidas disciplinares aplicadas aos Jogos Nacionais de Evita durante o governo de Javier Milei, uma política reconhecida como a principal iniciativa pública de esporte da Argentina. Parte-se da premissa de que os Jogos de Evita não eram apenas um empreendimento esportivo, mas também uma ferramenta pedagógica, cultural e federal com fortes raízes locais. Seu desfinanciamento representa não apenas um ajuste econômico, mas também um profundo debate sobre o papel do esporte nas escolas, o papel do Estado e os direitos das crianças e jovens.

A análise baseia-se em marcos regulatórios como a Lei Nacional de Educação, as Prioridades Essenciais de Aprendizagem (PEAs) e o regulamento específico dos Jogos Evita, bem como em contribuições teóricas que permitem refletir sobre a redefinição do Estado no campo das políticas sociais e educacionais. Para tanto, utilizam-se como referência as abordagens críticas de Pierre Rosanvallon e Lindomar Boneti. Nessa perspectiva, argumenta-se que o desmantelamento dos Jogos Evita constitui não apenas um corte orçamentário, mas também uma mudança ideológica que desloca o Estado de um papel integrador para uma função meramente administrativa, afetando o direito ao esporte como parte substancial do direito à educação.

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