Resumo

Este estudo fundamenta-se teoricamente na idéia de que a linguagem humana é produto eminentemente social e portador dos valores das diversas classes sociais (BAKHTINE, 1979). No conceito transformado de arte, o que era objeto único, aurático, sacralizado, não tem mais a possibilidade de sê-lo auratico. (BENJAMIN,1980). Através da obra dos poetas populares pensáse ser possível ampliar o espectro de estudo do desporto Analizou-se a visão popular de desporto encontrada na obra de Noel Rosa, considerado por João Máximo (1990) como um compositor crítico e perceptivo da realidade de seu tempo. A análise de sua obra proporciona uma visão de vários aspectos os aspect da vida social, política e cultural brasileira nas décadas de 20 e 30. Usou-se uma das técnicas de análise de conteúdo (BARDIN, 1977) para estudar as letras das 289 composições de Noel, examinadas em dois níveis: (a) manifesto - representado pelas estruturas linguísticas (palavras, frases, etc): (b) latente onde se encontra a ideologia, o sistema de idéias-representações. Na interpretação dos resultados foram usados elementos da Teoria Crítica (GIBSON, 1986) no que concerne a cultura popular. Em nove letras Noel faz referências explícitas ao desporto: Quem dá mais? (1930), Mulato bamba (1931), Negócio de turco (193-), Quem não dança e Mulher in- Neciodetu digesta (1934), A melhor do planeta (1935), conversa de botiquim e Deixa de ser convencida (1935), Tarzam, o filho do alfaiate (1936). No nível latente identificaram-se Atchim (1934) e Não tem tradução (1935). Ideológias estéticas, sexistas e racistas impregnavam a visão popular de desporto (restrito ao futebol e a luta). O estudo confirma a pesquisa de Cruz (1992) e a análise de Castellani (1986).

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