Resumo

Este ensaio analisa a consolidação do fisiculturismo brasileiro no cenário internacional, tomando como eixo interpretativo as transformações contemporâneas nos modos de produzir, governar e tornar visível o corpo. A partir dos referenciais teóricos de Michel Foucault e Nikolas Rose, o fisiculturista é compreendido como sujeito que internaliza práticas de bioascese, autogoverno e responsabilização, convertendo o corpo em projeto técnico, estético e continuamente otimizável. O estudo examina o corpo na intersecção entre biopolítica, técnica, mercado e cultura digital, destacando como a midiatização do treino e da rotina institui regimes de visibilidade contínua mediados por plataformas digitais. Argumenta-se que o possível surgimento de uma “virada brasileira” no fisiculturismo resulta da convergência entre uma estética corporal historicamente produzida no contexto brasileiro e a lógica da cultura fitness digital, que transforma disciplina em conteúdo, engajamento e capital simbólico. Nesse processo, sustenta-se que o fisiculturismo brasileiro opera como um laboratório corporal de experimentação estética e identitária, no qual o corpo se afirma como artefato ético, político e cultural, refletindo tensões centrais da subjetividade contemporânea em um contexto globalizado.

Referências

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