Resumo

O texto em tela trata-se de uma pesquisa em andamento, que tem como objetivos identificar os clubes náuticos e as competições esportivas envolvendo o remo no início do século XX e analisar como se dava a participação do público expectador presente nas regatas realizadas na Península de Itapagipe (Salvador-BA), sendo este o evento esportivo mais tradicional da região, em que o encontro de famílias, curiosos, ou mesmo amantes do esporte, transformavam as regatas numa grande festa esportiva. Como fonte de informações utilizamos os periódicos impressos à época cuja presença do remo era garantida nas colunas sociais e/ou esportivas. O remo, no início do século XX, era um esporte muito popular e, por isso, a rivalidade se fazia presente dividindo as famílias. No entanto, apesar da sua popularidade, o remo enfrentou dificuldades para se consolidar, principalmente pelo alto custo dos equipamentos necessários à prática do esporte. Entre os anos de 1910 e 1920 surgiram vários clubes e de diferentes camadas sociais que em meio ao crescente processo de urbanização da capital baiana à época (SANTOS, 2013), percebemos que o surgimento desses clubes passou a ser o principal espaço de divertimento dos associados que faziam das competições esportivas, grandes festas. Para Rocha Júnior (2011), o desenvolvimento do remo na cidade de Salvador foi uma construção cultural. Suas características simbolizavam novos hábitos e comportamentos, e em meio ao processo de urbanização da cidade de Salvador, o remo imprimiu uma forma de viver o novo momento urbano. No tocante à prática desse esporte, o atleta estava em contato intenso com a natureza, buscando superar seus limites e enfrentando diferentes desafios. Quanto aos clubes esportivos presentes nas primeiras competições esportivas, destacamos, inicialmente, o Esporte Clube Vitória (1899), o Clube de Natação e Regatas São Salvador (1902) e o Clube de Regatas Santa Cruz (1904). Sobre o dia da Regata, podemos dizer que era um dia de grande festa, talvez uma das festas socioesportivas de maior relevância para o período. Os clubes contratavam grandes barcos ou navios que ficavam ancorados próximos às raias para que orquestras musicais pudessem tocar e animar a festa.

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