O significado da movência para o processo civilizador infantil: o papel do movimentar-se na esfera da formação social e educacional
Por Juliano de Souza (Autor), Vinicius Machado de Oliveira (Autor).
Resumo
A capacidade de movimentar-se mais elevada dos seres humanos foi um dos aspectos determinantes que permitiram a humanidade não só evoluir biologicamente, como prosperar em meio a natureza selvagem (GEHLEN, 1987, WILSON, 2013). Nesse sentido, que o movimento foi central para esse processo de socialização da natureza, isso parece não deixar dúvidas. Contudo, esse tipo de afirmação emite a sensação de que os seres humanos só se movimentam com foco na sobrevivência. O que é não é verdade, uma vez que ao racionalizar o seu movimento, o gênero homo revestiu o seu movimentar-se de simbolismos e significados (ELIAS, 1994). Emergia aqui, portanto, uma noção que chamamos de “movência”, isto é, um movimentar-se cujas finalidades possuem mais correspondência com a figura do homo ludens do que com a persona do homo fabers (SOUZA, 2022; OLIVEIRA, 2024). Em linhas gerais, essa noção ligada ao ludens parece ter sido tão importante quanto o movimento destinado ao campo do trabalho, especialmente no universo infantil, cujos estímulos a atividades de movência – leia-se, arte, dança, jogos, brincadeiras, esportes etc –, serviam como instrumento de formação social e educacional das crianças.