Resumo
Na presente dissertação de mestrado procuramos compreender o significado das Provas de Aptidão Específica (PAE), realizadas nos vestibulares da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais. Para desenvolver esta pesquisa, fizemos um estudo de caso, em uma abordagem histórica, seguindo uma linha qualitativa. Utilizamo-nos de análise de documentos, de entrevistas, de questionários e de literatura, que versou sobre as relações estudadas. A temática objetivada considerou três momentos significativos na vida da Escola estudada, ou seja, os períodos: de 1952 a 1969, de 1969 a 1988 e de 1988 a 1993. Como categorias básicas deste estudo, procuramos identificar em cada um dos três períodos estudados o contexto vivido na época, as PAE realizadas e o profissional que a EEF-UFMG pretendia formar. Percebemos que a EEF-UFMG foi fundada nos moldes da Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFD), ambas com forte orientação da Educação Física (EF) militarista. O profissional a ser formado nesse primeiro momento histórico assemelhava-se ao "instrutor físico", sendo a ênfase, tanto nos vestibulares quanto no decorrer do próprio curso, dada à performance física do seu aluno, salientando uma visão dicotômica entre teoria e prática, com nuances diferentes ao longo da história. Essa tendência atravessou décadas e só veio a perder a sua força com a implantação da proposta do atual currículo dessa Escola, em 1991, que objetiva a formação técnica, pedagógica, crítica, contextualizada, tanto do bacharel quanto do licenciado em EF, para que possam atuar como transformadores sociais. Essa proposta idealiza a formação desses profissionais com visão de indissolubilidade entre teoria e prática para que atuem visando ao desenvolvimento omnilateral do homem. Apesar de já ter sido iniciada a implementação dessa proposta curricular, as PAE, mesmo muito modificadas através dos anos, continuaram sob forte influência tecnicista, mas voltadas exclusivamente para o fazer prático do candidato. Essas tendências estão ainda muito presentes no atual currículo. Com a realização desta investigação propomos que as PAE não sejam mais centradas nas valorizações das performances físicas, vistas enquanto ações mecânicas desprovidas de significado. Para que as PAE continuem existindo, é preciso que o específico da EF que essas provas procuram avaliar ultrapasse o fazer mecânico e se volte para os princípios da atual proposta curricular. Todas as experiências vividas na área da EF e esportes são importantes na formação do profissional de EF e, assim, precisam ser consideradas pelos vestibulares dos cursos de EF.