Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar se a avaliação da aprendizagem no Sistema de Ciclos nas Escolas da Rede Estadual de Ensino da cidade de Uberlândia, MG, tem contribuído para superar os problemas da evasão escolar do aluno do ensino fundamental, noturno. Visou, também, analisar os conhecimentos que os professores possuem sobre o sistema de ciclos e sobre a avaliação da aprendizagem utilizada nesta proposta. Nosso estudo restringiu-se ao 1° e 2°anos do ciclo avançado do ensino noturno, correspondente às antigas 7ª e 8ª séries. Como procedimento geral de pesquisa, procuramos compreender o objeto pesquisado como elemento que se constitui como parte de um contexto mais amplo. A pesquisa foi realizada em sete Escolas Estaduais da cidade de Uberlândia/MG que possuem o ciclo avançado no período noturno. Como instrumento de coleta de dados utilizamos questionários abertos que foram aplicados a 27 professores. Para uma melhor compreensão acerca da proposta de ciclos, procuramos caracterizá-la no que concerne à sua origem, objetivos e processos de avaliação da aprendizagem. No sentido de contextualizar a proposta fizemos um resgate histórico do sistema de ciclos desde os anos 60 do século XX até os dias atuais. Para melhor entendimento acerca das diferentes propostas de avaliação da aprendizagem discutimos a avaliação na escola seriada buscando fazer um contraponto com a avaliação da escola de ciclos. Analisamos documentos fornecidos pela Superintendência Regional de Ensino e os questionários aplicados aos professores. Os principais resultados obtidos nos possibilitou chegar a três tipos de conclusões: a primeira diz respeito aos princípios norteadores da proposta de ciclo. A este respeito podemos afirmar que quando comparados como da escola seriada, eles apresentam uma visão homem, mundo e sociedade, muito mais consistentes e coerentes com realidade brasileira, isto é, uma sociedade fundada na desigualdade social e cujos reflexos na educação tem contribuído para perpetuar o processo de exclusão escolar. Apesar disto, ela não contempla o ensino noturno e suas peculiaridades. A Segunda diz respeito a metodologia inadequada utilizada pelo Estado para implementação da proposta nas escolas públicas. É inadequada na medida em que não levou em consideração por um lado, os princípios e a clientela para a qual a proposta foi criada, e por outro, quando desconsiderou a realidade objetiva do ensino noturno. A terceira diz respeito à alienação dos professores e administradores das escolas estaduais estudadas sobre a sua realidade e do entendimento acerca da proposta. Essa alienação é reforçada quando implementam de forma acrítica uma proposta pedagógica cujo conteúdo ignoravam, ou, na melhor das hipóteses, possuíam informações fragmentadas e desprovidas de fundamentação filosófica.

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