Resumo

O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito do aumento da disponibilidade central de triptofano (TRP) nas respostas termorregulatórias e metabólicas e no desempenho físico em ratos durante o exercício até a fadiga, com ,o pré-tratamento com paraclorofenilalanina (p-CPA), inibidor da conversão de TRP a serotonina (5-HT). Foram usados ratos Wistar (250-350g) que, sob anestesia, receberam uma cânula guia no ventrículo cerebral lateral direito (VCD) e implante de um sensor de temperatura. Os animais foram pré-tratados com injeções i.p. de salina (SAL) ou p-CPA, durante 3 dias prévios ao experimento. No experimento os animais ,receberam administração central (VCD) de SAL 0,15 M ou de TRP 20,3 µM e foram submetidos a um protocolo de exercício submáximo até a fadiga (18 m.min-1 e 5% de inclinação; ~66%VO2max). Os animais tratados com TRP no VCD e com SAL i.p. apresentaram, em relação ao grupo controle, maiores taxas de acúmulo de calor (4,80 ± 0,94 cal.min-1 SAL i.c.v. vs. 12,60 ± 2,27 cal.min-1 TRP i.c.v.; n=7; p=0,01) e de elevação da temperatura corporal (0,02 ± 0,00°C.min-1 SAL i.c.v. vs. 0,05 ± 0,01°C.min-1 TRP i.c.v.; n=7; p=0,009), levando assim, a um desempenho físico reduzido (70,74 ± 20,76 min. SAL i.c.v. vs. 22,17 ± 2,45 min. TRP i.c.v.; n=7; ,p=0,028). Ainda nesse grupo observou-se uma correlação inversa entre a taxa de elevação da temperatura corporal e o trabalho realizado e entre a taxa de acúmulo de calor e o tempo total de exercício até a fadiga. Em relação às respostas ,metabólicas não foram identificadas diferenças nas concentrações plasmáticas de glicose ou lactato no momento da fadiga. A administração i.p. de p-CPA bloqueou o efeito do TRP nas taxas de acúmulo de calor (2,14 ± 1,10 cal.min-1 SAL i.c.v. vs. 1,33 ± 0,57cal.min-1 TRP i.c.v.; n=7) e de elevação da temperatura corporal (0,01°C.min-1 SAL i.c.v. vs. 0,01°C.min-1 TRP i.c.v.; n=7). Além disso, a administração de p-CPA i.p. antecipou os mecanismos de dissipação de calor, uma vez que a temperatura da cauda foi diferente a partir do 4º min. de exercício no grupo tratado com SAL i.c.v. e TRP i.c.v., em relação aos ratos pré-tratados com SAL i.p. Concluímos que o aumento da concentração central de TRP interferiu nos mecanismos de fadiga e na termorregulação durante o exercício, sem influenciar nos ajustes metabólicos e que estas respostas foram moduladas pela via serotonérgica, uma vez que as ações do TRP foram inibidas na presença da p-CPA, inibidora daenzima triptofano hidroxilase. Os dados sugerem ainda um efeito per si do TRP nos mecanismos de dissipação de calor durante o exercício.

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