Para Além do Binário: discutindo a diversidade nos jogos escolares
Por Heloisa Batalha de Castro (Autor), Bertulino José de Souza (Autor), Themis Cristina Mesquita Soares (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
O presente trabalho parte da compreensão do esporte como um fenômeno social que é historicamente estruturado por normas e divisões binárias de gênero. Nesse contexto, a escola assume um papel central na difusão e popularização do esporte moderno, utilizando-o como ferramenta de socialização e formação esportiva de crianças e jovens. Entretanto, a participação de pessoas transexuais em eventos esportivos escolares permanece marcada por invisibilidades e desafios institucionais. OBJETIVO: Investigar a existência de políticas, diretrizes ou normativas nos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (JERNs) que mencionem ou incluam estudantes transexuais. METODOLOGIA: A pesquisa é de natureza qualitativa e documental, com base na análise dos regulamentos oficiais que regem os JERNs. Utilizando a técnica de análise de conteúdo de Bardin para codificar e analisar os dados encontrados nos documentos. RESULTADOS: O estudo evidenciou que a organização dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte permanece estruturada a partir de uma lógica binária, que compreende o gênero estritamente vinculado ao sexo biológico. Os regulamentos, tanto geral quanto específicos, não apresentam qualquer dispositivo que reconheça ou acolha pessoas trans, seja através do uso do nome social, da consideração da identidade de gênero ou de critérios que possibilitem a inclusão efetiva desses sujeitos. CONSIDERAÇÕES: Essa ausência de reconhecimento se estende inclusive a modalidades em que o desempenho não depende diretamente de aspectos físicos, como o xadrez, evidenciando que a exclusão não se limita a questões de rendimento corporal, mas reflete uma estrutura normativa que invisibiliza identidades de gênero dissidentes.