Resumo

A construção de uma Educação Física Escolar comprometida com a educação das relações étnico-raciais permanece como um desafio à implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, especialmente na Educação Infantil. Este artigo analisa como as professoras participantes do Núcleo de Estudos das Relações Étnico-Raciais (NERER), da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, mobilizam práticas pedagógicas que enfrentam o racismo e reorganizam as experiências da cultura corporal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em entrevistas narrativas realizadas entre 2023 e 2025. Os resultados evidenciam que a formação continuada produz deslocamentos epistemológicos que transformam as concepções de corpo, infância, currículo e docência, superando abordagens centradas na inserção pontual de conteúdos afro-brasileiros e indígenas. Como contribuição ao campo, propõe-se a categoria Pedagogias Corporais do Reconhecimento, compreendida como uma perspectiva político-pedagógica em que as experiências corporais promovem pertencimento, ancestralidade, justiça curricular e reconhecimento das infâncias negras. 

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