Prática da mobilidade ativa no contexto universitário: uma revisão integrativa
Por Fernando Junio Antunes de Oliveira Cruz (Autor), Júlia Aparecida Devidé Nogueira (Autor), Livia Alessandra de Carvalho Teles (Autor), Maelison Silva Neves (Autor).
Em Revista Brasileira de Ciência e Movimento v. 33, n 1, 2025.
Resumo
Diante dos problemas sociais, estruturais e ambientais que se relacionam com a mobilidade das pessoas, observa-se a necessidade de buscar iniciativas que reduzam as iniquidades e favoreçam a saúde humana e planetária. A mobilidade ativa, ou transporte não motorizado, é uma prática promotora da saúde individual, coletiva e ambiental e dialoga com as agendas de saúde pública mundiais. O artigo tem por objetivo sintetizar evidências sobre a prática da mobilidade ativa e seus determinantes em estudantes universitários. Trata-se de revisão integrativa realizada por meio das bases de dados Medline e Lilacs, nos periódicos eletrônicos SciELO e Capes e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, com os termos: mobilidade, deslocamento, transporte (ativo ou sustentável ou não motorizado), caminhada, ciclismo, bicicleta, universitário, acadêmico. Foram incluídas teses, dissertações e artigos originais em português e inglês, publicados online, gratuitamente e na íntegra, entre os anos de 2008 e 2023. Pesquisas que não apresentaram dados estratificados para universitários ou que não relataram o deslocamento foram excluídas. Nos 18 estudos analisados, a maioria foi quantitativo transversal e utilizou questionários. Percebe-se que a produção sobre o tema é escassa, mas a mobilidade ativa é frequente no cotidiano de universitários de diferentes instituições do mundo, e tem como principais determinantes: tempo, distância, clima e infraestrutura. Sua prática esteve relacionada a benefícios fisiológicos, comportamentais e sociais, tais como o aumento da atividade física, do sentimento de segurança e senso de comunidade, além da diminuição da poluição atmosférica, favorecendo a promoção da saúde e de ambientes saudáveis. Conclui-se, com base nas publicações analisadas, que os fatores determinantes da mobilidade ativa, tanto barreiras como facilitadores, se relacionam aos aspectos políticos, econômicos, ambientais e culturais. São necessárias mais pesquisas sobre o tema, com delineamentos diversos, para ampliar o conhecimento sobre os determinantes e as possibilidades de incentivo da mobilidade ativa.