Resumo
Acredita-se que a Educação Física escolar, como uma disciplina pedagógica e componente curricular, possui um compromisso com a educação de todos os seus alunos em todos os níveis de ensino. No entanto, a análise das leis números 6503, de 13 de dezembro de 1997, 7692, de 20 de dezembro de 1998 e 9394, de dezembro de 1996 (LDB), dá a entender que a Educação Física, no ensino noturno, não vem recebendo a devida valorização nesse sentido, pois tais leis asseguram a facultatividade dessa disciplina a todo aluno que se mantiver "fisicamente ocupado". Na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96), a Educação Física continua como continua como componente curricular da Educação Básica, entretanto, para o ensino noturno, as aulas de Educação Física tornam-se facultativas. Em nossa compreensão, tornar algo facultativo, opcional, é ignorar, ou, na melhor das hipóteses, reduzir sua importância. Nossa luta não é apenas por manter a Educação Física no ensino noturno, mas também melhorá-la. Dessa forma, o objetivo desse estudo foi determinar princípios pedagógicos para as aulas de Educação Física do ensino noturno que considerassem a realidade em que esse ensino acontece. O estudo caracterizou-se como uma pesquisa teórica que teve como objetivo buscar na literatura uma fundamentação suficientemente consistente para as aulas de Educação Física do ensino noturno e, a partir daí, estabelecer princípios pedagógicos que norteiem a prática docente dos professores de Educação Física. Para verificar a adequação do referencial teórico à prática efetiva, estabeleceu-se contato com os sete professores de Educação Física que atuam no ensino noturno, na Rede Municipal da cidade de Santa Maria – RS. A partir das informações obtidas na discussão com os professores de Educação Física e do confronto com o quadro teórico, determinou-se princípios pedagógicos, que defendem, acima de tudo, que a Educação Física, em qualquer nível de ensino, atenda as necessidades de seus alunos, seja prazerosa, e venha a ser elemento indispensável na vida de qualquer cidadão. Partindo de Seybold (1994), foram trabalhados os seguintes princípios: de adequação à natureza; de adequação ao aluno; da individualização; da solidariedade; da totalidade; da intuição e objetivação; da experiência prática ou do realismo; axiológico; da esponteaneidade; e da adequação estrutural. Assim, acreditamos que estes princípios pedagógicos, ao serem analisados e implementados, poderão com certeza, facilitar o processo de melhoria da qualidade de vida dos alunos e, principalmente, articular formas que facilitem o processo de ensino. No entanto, é fundamental lembrar que estes formam um conjunto que necessita ser considerado na sua totalidade e na cumplicidade que há entre eles, para se alcançar o sucesso pedagógico.