Resumo

O futebol de mulheres tem passado por um processo acelerado de expansão e profissionalização, especialmente na Europa, onde a UEFA Women’s Champions League (UWCL) se consolidou como a principal vitrine da modalidade e um polo de atração de jogadoras de diferentes países. Nesse contexto, este estudo analisou o processo migratório das atletas e treinadores(as) que atuaram nos clubes participantes da UWCL na temporada 2024/2025, por meio de uma pesquisa documental e descritiva com dados do website oficial da UEFA, contemplando 458 jogadoras e 16 treinadores(as). Os resultados indicam uma forte hegemonia intraeuropeia, visto que 86,9% das atletas estrangeiras são provenientes do próprio continente, enquanto apenas 13,1% vieram de outros continentes, sobretudo América e Ásia, sendo que clubes com maior investimento, especialmente os ingleses, concentram parte significativa dessas jogadoras. A análise por posição demonstrou que goleiras e defensoras apresentam menor mobilidade internacional, ao passo que meio-campistas e, principalmente, atacantes são as que mais migram, refletindo a valorização de posições de maior protagonismo e impacto ofensivo. Identificou-se também a reduzida presença de mulheres na comissão técnica (apenas três treinadoras entre os 16 clubes) evidenciando desigualdades estruturais no acesso a cargos de liderança. Conclui-se que o processo migratório no futebol de mulheres europeu reflete tanto o avanço da profissionalização quanto disparidades econômicas, geográficas e de gênero, funcionando como um motor de qualificação competitiva, mas ainda de forma seletiva e assimétrica.

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