Processo migratório de atletas e treinadores(as) de futebol nos clubes da UEFA Women’s Champions League
Por Mateus Teixeira Malgueiro (Autor), Daniele Cristina Carqueijeiro de Medeiros (Autor), Maria Thereza Oliveira Souza (Autor), Letícia Bartholomeu de Queiroz Lima (Autor).
Resumo
O futebol de mulheres tem passado por um processo acelerado de expansão e profissionalização, especialmente na Europa, onde a UEFA Women’s Champions League (UWCL) se consolidou como a principal vitrine da modalidade e um polo de atração de jogadoras de diferentes países. Nesse contexto, este estudo analisou o processo migratório das atletas e treinadores(as) que atuaram nos clubes participantes da UWCL na temporada 2024/2025, por meio de uma pesquisa documental e descritiva com dados do website oficial da UEFA, contemplando 458 jogadoras e 16 treinadores(as). Os resultados indicam uma forte hegemonia intraeuropeia, visto que 86,9% das atletas estrangeiras são provenientes do próprio continente, enquanto apenas 13,1% vieram de outros continentes, sobretudo América e Ásia, sendo que clubes com maior investimento, especialmente os ingleses, concentram parte significativa dessas jogadoras. A análise por posição demonstrou que goleiras e defensoras apresentam menor mobilidade internacional, ao passo que meio-campistas e, principalmente, atacantes são as que mais migram, refletindo a valorização de posições de maior protagonismo e impacto ofensivo. Identificou-se também a reduzida presença de mulheres na comissão técnica (apenas três treinadoras entre os 16 clubes) evidenciando desigualdades estruturais no acesso a cargos de liderança. Conclui-se que o processo migratório no futebol de mulheres europeu reflete tanto o avanço da profissionalização quanto disparidades econômicas, geográficas e de gênero, funcionando como um motor de qualificação competitiva, mas ainda de forma seletiva e assimétrica.