Resumo

Até meados da década de 80, a produção historiográfica da Educação Física brasileira identificava-se pela visão da história tradicional, baseada na concepção positivista. O momento político que se desenvolveu entre 1964 (período de implantação da ditadura militar) e o final dos anos 80 (fase de reabertura política) marcou a produção acadêmica, de um modo geral, assim como revelou uma inquietação no seio da sociedade face à supressão dos direitos de cidadania. Tal fato despertou anseio de mobilização e luta por uma maior participação política. No bojo desse contexto que envolveu a reorganização da sociedade civil, as discussões acadêmicas iriam proporcionar reflexões na área da Educação Física e a sua incorporação a idéias e teorias que circulavam em outras áreas. Com isso, a Educação Física brasileira pôde vivenciar um momento de questionamento face ao paradigma científico que vinha norteando os discursos produzidos nessa área - dentre esses o historiográfico. Nesse contexto é que se materializa o discurso do historiador da Educação Física brasileira na década de 80, revelando a incorporação de visões de mundo que se destacaram pela crítica à ideologia política numa tentativa de ruptura com o modelo historiográfico produzido até aquele momento. Mesmo revelando um certo avanço no distanciamento da visão tradicional de história, deficiências teóricas e metodológicas contidas na produção do conhecimento da Educação Física impediram um desenvolvimento de caráter epistemológico, não experimentando, portanto, a construção de uma história própria.

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