Quando futebol e política se unem: a saudi pro league como instrumento de sportswashing no século XXI
Por João Batista de Oliveira Neto (Autor).
Resumo
No dia 31 de outubro de 2023, Gianni Infantino, presidente da FIFA, anunciou por meio de suas redes sociais que a Copa do Mundo de 2034 seria na Arábia Saudita. De acordo com a FIFA, para a candidatura de países para o maior evento futebolista do mundo, deve haver revezamento entre os continentes. Assim, com a Copa do Mundo de 2026 sendo na América do Norte e a de 2030 sendo na América do Sul, Europa e África, os únicos continentes restantes para a realização da Copa de 2034 seriam Ásia e Oceania. Todavia, a Austrália retirou sua candidatura no mesmo 31 de outubro de 2023 poucas horas antes do anúncio do presidente da Federação Máxima do Futebol. A aproximação da FIFA com a Arábia Saudita e com os países do Golfo, mostra uma estratégia muito benéfica para a entidade, dado que com investimentos milionários por meio de patrocínios e a supervalorização dos preços de ingressos da Copa do Catar em 2022, por exemplo, os lucros da federação foram os maiores em sua história. A Arábia Saudita tem como estratégia em sua agenda denominada “Visão Saudita 2030” diminuir sua dependência do Petróleo, se transformar em um lugar turístico e obter renda através desse meio, independência de defesa e manter sua segurança nacional e se transformar na “Europa do Futuro”. O documento foi publicado em 2016 pelo príncipe herdeiro Mohahmmad Bin Salman, atual Primeiro Ministro do país. A Visão é um documento completo onde são apresentados os motivos e os métodos que serão utilizados para que seus objetivos sejam cumpridos até o ano de 2030.