Resumo

s discussões sobre corpos dissidentes têm tensionado os modos tradicionais de compreender a Educação Física, especialmente no que se refere às normas de gênero e possibilidades de existência no espaço acadêmico. Nesse contexto, corpos queer, e em particular a performance drag, emergem como experiências que desafiam padrões normativos e ampliam os horizontes de pertencimento. Como objetivo, o estudo buscou narrar e problematizar a experiência de um corpo drag no contexto da formação em Educação Física, evidenciando os sentidos produzidos a partir dessa vivência em um espaço acadêmico. Metódos: Trata-se de um estudoqualitativo de caráter narrativo, baseado no relato de experiência de um graduando em Educação Física que atua como dragqueen. A experiência foi construída a partir da participação no "II Seminário Educação Física, Corpo e Sociedade -Edição: Corpo, Educação Física e Educação", articulando trajetória teórica, discussões sobre corpo, teoria queer e vivências pessoais no ambiente acadêmico. Resultados: A experiência revelou tensões relacionadas à presença de corpos queer na universidade, marcadas por sentimentos de insegurança, medo de não reconhecimento e questionamentos sobre legitimidade. Ao optar por realizar sua apresentação montada, o estudante tensionou expectativas normativas, provocando deslocamentos no público e fomentando debates ainda incipientes no campo. Os relatos evidenciaram experiências anteriores de exclusão, ausência de pertencimento e limitações nas práticas corporais vivenciadas na Educação Física. Por outro lado, a ocupação desse espaço possibilitou a ressignificação dessa trajetória, fortalecendo redes de apoio e produzindo sentidos de afirmação, resistência e representatividade. Conclusão: A presença de um corpo drag na formação em Educação Física evidencia limites e possibilidades de transformação desse campo. A experiência analisada aponta para a urgência de práticas pedagógicas mais sensíveis à diversidade, indicando que a inserção de corpos dissidentes não apenas tensiona normas estabelecidas, mas também amplia horizontes formativos, contribuindo para uma formação plural, crítica e inclusiva

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