Quem pode ocupar esse espaço? Experiências e sentidos de um corpo drag na Educação Física
Por Robson Gabriel Antônio Ribeiro (Autor), Erik Giuseppe Barbosa Pereira (Autor), Fabiane Frota da Rocha Morgado (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
s discussões sobre corpos dissidentes têm tensionado os modos tradicionais de compreender a Educação Física, especialmente no que se refere às normas de gênero e possibilidades de existência no espaço acadêmico. Nesse contexto, corpos queer, e em particular a performance drag, emergem como experiências que desafiam padrões normativos e ampliam os horizontes de pertencimento. Como objetivo, o estudo buscou narrar e problematizar a experiência de um corpo drag no contexto da formação em Educação Física, evidenciando os sentidos produzidos a partir dessa vivência em um espaço acadêmico. Metódos: Trata-se de um estudoqualitativo de caráter narrativo, baseado no relato de experiência de um graduando em Educação Física que atua como dragqueen. A experiência foi construída a partir da participação no "II Seminário Educação Física, Corpo e Sociedade -Edição: Corpo, Educação Física e Educação", articulando trajetória teórica, discussões sobre corpo, teoria queer e vivências pessoais no ambiente acadêmico. Resultados: A experiência revelou tensões relacionadas à presença de corpos queer na universidade, marcadas por sentimentos de insegurança, medo de não reconhecimento e questionamentos sobre legitimidade. Ao optar por realizar sua apresentação montada, o estudante tensionou expectativas normativas, provocando deslocamentos no público e fomentando debates ainda incipientes no campo. Os relatos evidenciaram experiências anteriores de exclusão, ausência de pertencimento e limitações nas práticas corporais vivenciadas na Educação Física. Por outro lado, a ocupação desse espaço possibilitou a ressignificação dessa trajetória, fortalecendo redes de apoio e produzindo sentidos de afirmação, resistência e representatividade. Conclusão: A presença de um corpo drag na formação em Educação Física evidencia limites e possibilidades de transformação desse campo. A experiência analisada aponta para a urgência de práticas pedagógicas mais sensíveis à diversidade, indicando que a inserção de corpos dissidentes não apenas tensiona normas estabelecidas, mas também amplia horizontes formativos, contribuindo para uma formação plural, crítica e inclusiva