Relação da frequência cardíaca, percepção subjetiva de esforço e da potência no pedalar no desempenho do triathlon
Por Bruno Henrique Pignata (Autor), Luiz Vieira da Silva Neto (Autor), Orival Andries Júnior (Autor).
Resumo
No triathlon, modalidade composta por etapas sequenciais, compreender as influências fisiológicas e de desempenho é fundamental, especialmente porque a escolha do ritmo constitue um dos principais determinantes do sucesso, além da regulação da fadiga. Nesse contexto, investigar as interações do pedalar e do desempenho subsequente no correr é essencial para otimizar o resultado global. O estudo teve como objetivo analisar o efeito da intensidade do pedalar no desempenho subsequente, e o tempo total no triathlon na distância sprint. Participaram sete atletas do sexo masculino (39,6 ± 7,8 anos; 1,77 ± 0,09 m; 78,1 ± 12,2 kg). Os atletas realizaram um teste de potência de limiar funcional (FTP20) e mais dois simulados distintos de triathlon sprint, com intervalo de 48 horas entre o teste e entre simulados. Foram analisadas a potência (W), frequência cardíaca (FC), percepção subjetiva de esforço (PSE), e o tempo total despendido. Os instrumentos utilizados foram: RacerMate Computrainer Stationary, Cronômetro Finis 300 Stopwatch, Aplicativo Polar Beat, Fita Cardíaca Polar H10, e Escala Borg e Noble (PSE). A análise estatística foi realizada por meio do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 22.0, e significância de p ≤ 0,05. No simulado realizado na intensidade correspondente ao FTP, observou-se maior potência, FC e velocidade no pedalar, porém com prejuízo subsequente no desempenho do corer. Apesar disso, o tempo total foi inferior nessa condição. Os achados indicam que sustentar maior intensidade no pedalar, mesmo com impacto negativo no correr, pode favorecer o desempenho global em provas de triathlon sprint.
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