Respostas agudas de biomarcadores renais ao desafio de Murph em praticantes de condicionamento físico funcional
Por Guilherme Lisboa de Serpa (Autor), Vania Marilande Ceccatto (Autor), Adriano César Carneiro Loureiro (Autor).
Resumo
O exercício de alta intensidade influencia significativamente a fisiologia renal; no entanto, os efeitos de protocolos extremos de fitness, como o Murph, permanecem pouco explorados. Este estudo avaliou o impacto do protocolo Murph sobre biomarcadores de função renal em dez homens fisicamente ativos. Os participantes realizaram uma única sessão do protocolo, com coleta de amostras de sangue e urina nos momentos basal, imediatamente após o exercício e 24 h após o exercício. Foram analisados os níveis séricos de cortisol, lactato, creatinina e testosterona, bem como creatinina urinária e microalbuminúria. A taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) foi calculada utilizando a equação de Cockcroft– Gault. Imediatamente após o exercício, a TFGe apresentou redução significativa de 51,3%, diminuindo de 109,30 ± 19,95 para 53,22 ± 6,34 mL/min/1,73 m² (diferença média: −56,11; IC 95%: −75,83 a −36,39; p < .0001). Após 24 h, a TFGe permaneceu significativamente inferior aos valores basais (−25,5%), atingindo 81,44 ± 16,49 mL/min/1,73 m² (diferença média: −27,89; IC 95%: −46,11 a −9,66; p = .0052). A creatinina urinária não apresentou alterações imediatamente após o exercício (p > .05), porém aumentou significativamente após 24 h em comparação ao basal (112,70 ± 48,77 vs. 170,00 ± 51,20 mg/dL; diferença média: 57,28; IC 95%: 8,62 a 105,90). Não foram observadas alterações significativas na microalbuminúria (diferença média: −2,02; IC 95%: −3,64 a 7,69). Esses achados indicam que o protocolo Murph induz uma redução aguda da filtração renal, parcialmente persistente após 24 h, associada ao aumento de metabólitos nitrogenados, sugerindo um estresse renal substancial, porém transitório.