Resumo
Os circuitos HIIRT vêm sendo muito aplicados em diferentes populações devido aos seus benefícios nos indicadores de saúde e aptidão física. Apesar disso, a literatura é escassa quanto a trabalhos que investigaram os efeitos da manipulação das variáveis de prescrição nas respostas psicofisiológicas ao esforço. Esta tese compõe-se de dois estudos. No primeiro, realizou-se uma revisão sistemática da literatura, para sintetizar as características metodológicas dos estudos envolvendo protocolos em circuitos de alta intensidade, executados com exercícios resistidos sobre os indicadores agudos de intensidade do esforço em adultos jovens saudáveis, analisando a aplicação das estações de corrida nesses protocolos. Realizada de acordo com as diretrizes PRISMA e abrangendo artigos até 15 de setembro de 2023, a busca, realizada nas bases PubMed, Embase, Web of Science, Scielo, resultou na inclusão de 23 estudos, cuja qualidade metodológica foi avaliada pela Escala TESTEX. Essa análise revelou grande variação nas características metodológicas dos circuitos HIIRT, no volume de treinamento (duração das sessões, número de exercícios, repetições, ordem de execução e número de passagens pelo circuito), nos indicadores de intensidade do esforço (percentuais de repetições máximas, cargas fixas, peso corporal e métodos all-out), nas características dos exercícios e formas de aplicação de sobrecarga. Notou-se também uma falta de padronização nas estações de corrida dos circuitos, especialmente quanto a duração e intensidade. O artigo original investigou as respostas cardiorrespiratórias, de lactato sanguíneo e de afeto em sessões HIIRT all-out, comparando as sessões realizadas apenas com exercícios resistidos (HIIRT-T) com aquelas combinadas com estações de corrida (HIIRT-M). A amostra foi composta por 20 voluntários jovens treinados (24,1±3,4 anos, VO2máx 50,6±8,7 ml∙kg-1∙min-1), submetidos a dois protocolos de HIIRT de 12 minutos. As principais variáveis analisadas incluíram percentuais da frequência cardíaca máxima (%FCmáx), consumo máximo de oxigênio (%VO2máx), dispêndio energético (DE), lactato sanguíneo [La] e afeto. Os resultados indicaram que o %FCmáx não diferiu significativamente entre os protocolos HIIRT-T e HIIRT-M (80,40±3,73 vs. 81,30±4,092; p=0,0613), enquanto o %VO2máx (40,35±7,73 vs. 47,00±11,56; p=0,0414) e o DE (103,3±22,50 vs. 118,4±29,35 kcal; p=0,0399) foram maiores no protocolo com estações de corrida. O [La] foi maior na sessão HIIRT-T vs. HIIRT-M (6,4±3,5 a 9±4,62 vs. 3,96±3,13 a 6,54±2,8 mmol∙L-1; p≤0,05), e houve maior estabilidade no número de repetições ao longo dos rounds no HIIRT-M em comparação ao HIIRT-T (88,44±8,99 a 60,44±8,72 vs. 40,94±4,4 a 46±4,63; p≤0,05). As respostas afetivas, incluindo prazer, ativação e divertimento, não foram significativamente alteradas pela inclusão de estações de corrida. Conclui-se, portanto, que as estações de corrida nos circuitos HIIRT-M são eficazes para manter uma intensidade de esforço elevada, com maior VO2 e menor produção de lactato, o que pode beneficiar a redução do impacto da fadiga localizada nesse tipo de circuito. A pequena diferença no DE entre os protocolos HIIRT-M e HIIRT-T, embora estatisticamente significativa, torna limitadas as implicações práticas. Adicionalmente, a inclusão das estações de corrida não influenciou as respostas afetivas ao exercício. Ressalta-se, contudo, a necessidade de pesquisas futuras para investigar os efeitos de diferentes durações e intensidades das estações de corrida em protocolos HIIRT, objetivando otimizar estratégias de treinamento.