Resumo

O presente trabalho analisa a campanha da Seleção Chilena de Futebol durante a Copa do Mundo FIFA de futebol masculino de 1982. A partir da Nova História Cultural enquanto abordagem metodológica, propõe-se um exame sobre as representações sociais (CHARTIER, 2002) construídas pela imprensa esportiva em torno da equipe e a maneira que este discurso corrobora para as reflexões sobre as virtudes e mazelas nacionais. Para tal reflexão, sugere-se como fonte a revista chilena Estadio, um dos semanários esportivos mais longevos do país. Lançado em 1941, foi considerado importante no processo de popularização do futebol e responsável pela mediação e difusão de um discurso em torno da identidade nacional através dos triunfos e fracassos da Seleção de futebol do Chile. Entre os anos de 1973 a 1982, iniciou-se um processo de adequação de sua linha editorial às demandas de um mercado cada vez mais concorrido pelo discurso triunfalista proposto pela ditadura civil-militar. Apostando na euforia popular provocada pela Copa do Mundo, a Estadio tentou substituir o seu perfil analítico, crítico e, de certa forma, pedagógico de suas reportagens. Adquirindo uma linguagem mais informal a revista deu espaço a assuntos não pertinentes ao esporte, geralmente relacionados aos interesses de seus patrocinadores. Em uma espécie de “examen simbólico que iba a medir el grado de modernización, en clave futbolística, alcanzado por la sociedad chilena” (Parra, 2013: p.106), a Copa do Mundo tornou-se um pretexto para que a linha editorial da Estadio, minimizasse os atributos morais da nação por outros atributos como a competitividade, o desenvolvimento técnico e tático. Nesse cenário, propõe-se a hipótese de que os excelentes índices econômicos e o aparente processo de desenvolvimento do futebol, corroboraram para a construção de um discurso otimista pautado no desenvolvimento da raça chilena. Todavia, apontada como a melhor da América do Sul durante as eliminatórias, os primeiros resultados chilenos em terras espanholas fizeram com que o semanário retomasse os discursos morais. Percebe-se também que a eliminação prematura do Chile propiciou dentre outros fatores, a depreciação da raça chilena, descrita como racialmente mal formada, e do próprio Estado, diretamente responsável pela educação do jogador chileno.

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