Resumo

Este estudo vversa sobre a atividade mioelétrica de superfície da porção superior do músculo trapézio de pilotos de F-5, durante missões de Treinamento de Combate Aéreo (TCA), tendo em vista a necessidade do piloto em adotar diversas posturas, estáticas e dinâmicas, da cabeça e de membros superiores sob altas forças acelerativas, já que manter contato visual com a aeronave oponente é crucial nos vôos de combate. Os objetivos propostos neste estudo foram: (1) Investigar a atividade mioelétrica do referido músculo em missões de TCA, a fim de compará-los nas diferentes fases operacionais dessas missões; (2) verificar se a experiência em vôos de caça influi na atividade mioelétrica da musculaura em questão e (3) justificar a recomendação de um programa especializado de condicionamento físico para a região cervical do piloto de caça, a fim de contribuir para o seu desempenho profissional. Foram monitorados 21 pilotos do sexo masculino, destros e saudáveis, com idade média de 30,5 anos. Conclui-se que as médias de atividade mioelétrica (EMG) apresentaram diferenças estatisticamente significativas (p< 0,05) entre as fases das missões de TCA e que independem da experiência dos pilotos. Dentre elas, a fase de vôo, que compreende o TCA propriamente dito, registrou os mais altos níveis de atividade mioelétrica, aproximadamente 14,8% da contração voluntária máxima. Tais resultados sugerem que, de uma forma geral, a missão de TCA, por envolver padrões complexos de movimentos da cabeça e membros superiores, exige significativamente da musculatura cervical, e portanto, pode provocar considerável estresse em suas estruturas. Outros aspectos podem, provavelmente, ter contribuído para os resultados obtidos, como o peso do conjunto capacete/máscara de vôo tolerado pelo piloto sob altas forças de aceleração e também, os aspectos emocionais inerentes a uma missão de caça, tais como a concentração mental e a expectativa em relação ao sucesso da missão e à segurança do vôo. Essas são algumas das características que fazem parte da rotina de um piloto de combate que podem contribuir para o aumento da atividade muscular da região cervical. Assim, na medida em que se conheça a realidade laborativa do piloto de caça, torna-se-á possível elaborar um programa especializado de condicionamento físico que, além de minimizae os efeitos indesejáveis do vôo, auxiliará na capacitação física e mental do piloto, de acordo com as suas condições especiais de aeronavegante.

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